Torcida Bipolar

Quando ganhamos somos os melhores do mundo, quando perdemos o time não presta, tem  que trocar treinador, fazer reformulação. A linha que separa as vaias do aplauso é praticamente invisível. Desaprendemos a perder. Culpa de Pelé, de Garrincha, de Romário, de Ronaldo, que nos acostumaram com os títulos. Culpa das cinco estrelas que carregamos no peito e que causam inveja em outras seleções. Culpa de uma geração que acha que o futebol é um jogo de Playstation.

Também me decepcionei com a atuação da Seleção Brasileira nessa Copa América, mas não compartilho esse pensamento de tragédia pela eliminação diante do Paraguai. O futebol nos proporciona situações como a de hoje quando fomos superiores durantes os 120 minutos do jogo e acabamos perdendo nos pênaltis. Discordo do Mano Menezes quando coloca a culpa no péssimo estado do gramado. Campo ruim para nós, campo ruim para eles também. Fomos eliminados porque não soubemos cobrar os pênaltis. Ponto.

Essa não foi a primeira e nem será a última vez que acontecerá. O que tem de ser revisto no momento é a tal de reformulação feita após a Copa do Mundo de 2010. Apenas um ano se passou e cometemos erros parecidos com o do passado. Seleção não é família, não é grupo do Bolinha. Não dá mais para aceitar que o melhor de cada posição não seja convocado de uma competição oficial como forma de castigo. Assim como não dá mais também para aturar imaturidade de alguns jogadores (e não falo somente dos mais novos). É preciso que a comissão técnica faça um trabalho para conscientizar o grupo de que a Seleção não é lugar para celebridades e muito menos uma forma de trampolim para empresários faturarem mais grana. Lúcio já mandou o recado. A camisa é muito mais importante que o nome. Teremos até 2014 para saber se o recado foi ou não entendido.

Até lá temos que apoiar a geração que temos em mão. Parar de olhar o quintal do vizinho e saber valorizar o nosso. É preciso lapidar os jovens e não crucificá-los a cada derrota. E o primeiro passo para tirar a pressão do ombros desses garotos é deixar o passado em seu devido lugar: na memória ou nos livros de história. Não haverá outro Pelé, Zico, Romário ou Ronaldo. O futuro é de Neymar, Ganso, Lucas, Pato e Cia.

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