Dejà vu

A maldição dos 100 anos. Esse seria um bom título para um filme sobre os centenários Rubro Negro. No ano em que o futebol do Flamengo completa 100 anos, os torcedores assistem ao remake de 1995, ano do centenário do clube de regatas. Os personagens são praticamente os mesmos: técnico Vanderlei Luxemburgo como vilão, a estrela do time como mocinho (Romário-95 e Ronaldinho-12), elenco como atores coadjuvantes, diretoria na figuração, torcedores no papel de palhaço, direção e roteiro por parte da imprensa.

O enredo da história que parece ter seu fim em 2012, iniciou-se em 2011 e é o mesmo de 1995. O Flamengo monta um grande time, traz um jogador que já foi eleito melhor do Mundo pela FIFA, faz uma mega festa na Gávea, Luxemburgo se mostra animado em trabalhar com grandes jogadores, ganha a Taça Guanabara, ilude a torcida, mas aos poucos o caldo vai entornando. A perda do título carioca em 95 que foi o estopim para o fim da relação entre Luxa e Romário não se repetiu em 2011. O título invicto deu sobrevida ao relacionamento que parecia ser o melhor possível, os fantasmas de uma crise entre jogador e técnico tinham ficado no passado, todos acreditavam na mudança de Vanderlei. Porém, de acordo com o roteiro escrito pela imprensa, diversos episódios foram minando a relação R10-Luxemburgo, como as seguidas noitadas do craque, a falta de empenho em treinos, atraso de salários, novela Traffic, mulheres na concentração e principalmente a falta de apoio da diretoria.

No elenco o discurso é sempre o mesmo, reconhecem o clima pesado, afirmam que o maior prejudicado é o clube. Alguns tomam partido pelo técnico, outros ficam do lado do craque e tem os que preferem pular fora do barco. Fazendo figuração a diretoria se reúne, discute o futuro e no final só diz que está tudo certo. Diferente de Romário, Ronaldinho prefere seguir calado em meio a toda polêmica, mas sem deixar de seguir o roteiro e fingir que está tudo bem e que o relacionamento com o técnico é bom. Cenas como o abraço entre Luxemburgo e Ronaldinho em Sucre, na Bolívia e um problema de saúde para faltar ao treino são importantes para deixar a dúvida na cabeça do espectador. Enquanto isso tudo acontece, o disse-me-disse vai ajudando o torcedor a exercer da melhor forma o papel de palhaço.

Se quem está certo é o Luxemburgo ou o Ronaldinho, isso pouco importa para torcida, que no momento só não quer ver o drama Rubro Negro se transformar em uma comédia ainda mais engraçada para a torcida adversária com uma eliminação para o Real Potosí, na pré-Libertadores. O roteiro sobre a indefinição do futuro de Luxemburgo e Ronaldinho já está pronto e dificilmente o resultado na Bolívia irá influenciar em algo. Portanto, até os créditos subirem a torcida mantém a esperança em um final feliz para o Flamengo, diferente do ocorrido em 1995.

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