2019, o ano mágico do Flamengo

Sem dúvida a derrota para o Liverpool na final do Mundial de Clubes da Fifa frustou muitos flamenguistas que esperavam fechar o ano com chave de ouro, mas de maneira alguma apaga os feitos desse time em 2019. Foram três títulos (Carioca, Brasileiro e Libertadores) conquistados pelos profissionais, fora os recordes quebrados. Enfim, o tão sonhado ano mágico para os rubro negros.

O ano começou bem para o clube. Campeão da Florida Cup (popularmente conhecida como Copa Mickey), o Flamengo já dava mostra que iria buscar títulos este ano, fossem eles relevantes ou não. O primeiro desafio foi o Campeonato Carioca e apesar dos problemas, o elenco conseguiu mostrar sua superioridade e levar o caneco para Gávea. Porém, faltava algo. A torcida não estava satisfeita com o desempenho dos jogadores comandados pelo então técnico Abel Braga.

Na mesma semana do título do Carioca, o Flamengo deu um susto na torcida ao perder para LDU, em Quito, e complicar uma classificação que parecia fácil. Era o fantasma da Libertadores assombrando novamente o clube. Mas dessa vez, um empate com o Peñarol na última rodada salvou a torcida de presenciar mais um vexame e classificou o time para as oitavas. Nesse momento a insatisfação com o treinador já era altíssima.

Foi aí que teve início o Campeonato Brasileiro e os resultados negativos antes da parada para Copa América azedaram de vez a relação “torcida x Abel Braga”. Sob intensa pressão e se sentindo abandonado pela diretoria, o técnico pediu demissão. E foi nessa hora que o ano mágico começou a nascer. A diretoria agiu rápido e trouxe um português bastante famoso em seu país de origem, mas ainda visto com desconfiança por todos no Brasil: Jorge Jesus.

Quem poderia imaginar que o portuga poderia causar uma verdadeira revolução no futebol brasileiro? Os primeiros resultados foram péssimos e motivaram diversas críticas por parte da imprensa que estava ávida para fritar o cara e exaltar o trabalho de seu antecessor. Primeiro foi eliminado para o Athletico na Copa do Brasil e em seguida perdeu para o Emelec por 2 a 0 no primeiro jogo das oitavas-de-final da Libertadores. Cenário perfeito para os abutres. Mas o torcedor já tinha percebido que o time tinha mudado completamente de postura e abraçou o mister.

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Foto: Alexandre Vidal / Flamengo

Escalada para os títulos

O jogo de volta contra o Emelec, no Maracanã, marcou a reviravolta na história desse time. Ali era fundamental jogar com a conhecida Raça Rubro Negra. A torcida empurrou e o time conseguiu o resultado nos pênaltis. Comemoração de título, mas era só o espanto de mais um fantasma que tanto atormentava a torcida. Só que ainda vinham outros pela frente. Primeiro foi o Internacional. Os times do Sul sempre foram uma pedra no sapato do Rubro Negro, mas logo no primeiro jogo o Flamengo praticamente encaminhou a classificação. Jogando muito bem, o time administrou o resultado e alcançou uma semifinal após anos.

Flamengo e Grêmio, Grêmio e Flamengo. Mais um time do Sul no caminho Rubro Negro, só que dessa vez era nada menos que o time mais copeiro do Brasil. O resultado na Arena Grêmio não traduziu o que foi o jogo e acabou sendo mais estimulante para os gremistas e conseguiram um empate mesmo jogando mal em casa. Acreditavam que poderiam virar o jogo no Rio. Ledo engano. O Flamengo não tomou conhecimento do time do Renato Gaúcho e meteu impressionantes 5 a 0. Era o Fla novamente em uma final após 38 anos.

Enquanto isso, o time também impressionava no Brasileiro e já era líder isolado. O mister impressionou a todos com a intensidade a qual levava os jogadores. Ninguém era poupado. E toma-lhe críticas dos comentaristas, que não acreditavam que o elenco iria manter a mesma pegada até o fim. Estavam enganados. Não só o time todo aguentou, como bateu recorde atrás de recorde.

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Foto: Alexandre Vidal, Marcelo Cortes & Paula Reis / Flamengo

A hora da consagração

A final da Libertadores virou uma grande novela por conta dos conflitos políticos no Chile. Marcada inicialmente para acontecer em Santiago, a Conmebol teve que remarcar para Lima, no Peru, pouco tempo antes do jogo. Primeiro vez que o campeonato seria decidido em um jogo único. A torcida Rubro Negra peregrinou em peso para o Peru. Quem não pôde ir, ficou e carregou o time até o aeroporto antes do embarque para o então principal jogo do clube nos últimos 38 anos.

Nem de longe o futebol apresentado naquela final foi o mesmo que o time apresentou nos seus melhores momentos. Mas era uma final. O gol do River Plate ainda no primeiro tempo jogou uma ducha de água fria no torcedor, que em nenhum momento deixou de acreditar. Inclusive, aos 43 minutos, pouco antes do Gabigol empatar, os torcedores cantavam a plenos pulmões a música que embalou o time este ano: em dezembro de 81…

Gabigol empata. Torcida enlouquece. O jogo retorna. Gabigol vira. O torcedor não sabe se é replay ou outro gol. O grito (rouco) entalado sai e as lágrimas escorrem pelo rosto. Não dava tempo para mais nada. Flamengo Bicampeão da Libertadores. Que emoção.

O time volta ao Rio e sai em carreata pelas ruas do Centro no dia seguinte à conquista. E logo após a festa que durou mais de quatro horas vem mais uma notícia positiva: Grêmio venceu o Palmeiras e ajudava o rubro negro a conquistar mais um título. Flamengo Campeão Brasileiro.

Sem a cereja no bolo

O clima de festa tomou conta do Rio. O torcedor rubro negro viveu algo que nem nos seus melhores sonhos poderia imaginar. Após esperar tanto tempo, estava colhendo os frutos de um trabalho sério iniciado em 2013. Só que o calendário ainda não tinha acabado. Tinha o Mundial de Clubes e o tão sonhado confronto com o Liverpool, mesmo adversário de 1981, o ano Rubro Negro.

Todos queriam repetir o feito daquele time. E a caminhada começou bem com a vitória por 3 a 1 em cima do Al-Hilal na semifinal da competição. Com o Liverpool passando pelo Monterrey-MEX, a final tão esperada estava marcada.

O torcedor sonhou, imaginou, fez planos, acreditou. Mas não deu. O Flamengo mostrou ao mundo que não era qualquer time. Deu trabalho aos Reds, em alguns momentos levou até mais perigo, mas Roberto Firmino adiou o sonho Rubro Negro após marcar um gol em contra-ataque que contou com vários erros dos jogadores do Flamengo desde o início da jogada. Não foi dessa vez que o sonhado título viria.

Porém, nada disso foi capaz de apagar o ano mágico do Flamengo. Mais de 70 jogos e 150 gols marcados. Uma temporada quase perfeita, que pode colocar o time em otopatamar (como diria Bruno Henrique). Sim, pode colocar. O Flamengo hoje é um time muito bem treinado, com um planejamento bem definido e muito bem organizado. Só que ainda é cedo para dizer que finalmente se estabeleceu entre os grandes. Como o próprio Mister disse em entrevista coletiva, o clube precisa continuar ganhando títulos para se firmar como um dos maiores, para ser conhecido mundialmente pelo que faz em campo e não somente pelo tamanho de sua torcida.

2019 foi o ano mágico. 2020 tem tudo para ser o ano da afirmação. A conferir.

Você acha que o Flamengo vai conseguir repetir o seu melhor desempenho em 2020? Deixe sua opinião nos comentários.

Foto: Alexandre Vidal / Flamengo

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