Ai, jesus…

Fla-Flu sem emoção não existe. O maior clássico do planeta acrescenta a cada partida uma página na bíblia sagrada do futebol. E hoje não foi diferente. O jogo que parecia que ia decepcionar os torcedores no primeiro tempo mudou completamente de cara na segunda etapa e honrou o nome. Os times passaram longe de apresentar um futebol a altura do que é o Fla-Flu, mas as circunstâncias tornaram histórica a vitória Rubro Negra por 3 a 2.

O herói de hoje foi o contestado Dario Botinelli. O argentino que chegou com status de promessa e até o jogo de hoje não tinha mostrado a que veio resolveu desencantar justamente no Fla-Flu. Não tinha oportunidade melhor. O nome de El Pollo já entrou no hall dos grandes heróis do clássico, ao lado de Renato Gaúcho (talvez o símbolo do Fla-Flu com seu histórico gol de barriga em 95), Adriano Imperador, Assis, Zico…

Discordo dos que disseram durante a semana que esse seria o Fla-Flu mais importante dos últimos 10 anos. O Fla-Flu mais importante de todos é sempre o que está por vir. Não importa a situação, pode ser até no futebol de botão, Fla-Flu sempre será Fla-Flu e vice-versa. Novos heróis surgirão, novas histórias serão contadas, novas reclamações serão feitas e o grito de “Ai, Jesus” continuará na garganta da galera. Isso é Fla-Flu…

SANTOS X FLAMENGO: HISTÓRICO

Uma verdadeira ode ao futebol aconteceu no dia 27 de Julho de 2011. Palavras não são capazes de descrever o que aconteceu naquele dia. Santos x Flamengo, um duelo para guardar na memória:



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Parabéns, Fluminense! 109 anos.

Hoje, 21 de Julho de 2011, o Fluminense Football Club faz 109 anos. E isso não poderia passar em branco, não é mesmo? O clube das três cores que traduzem a tradição e sua apaixonada torcida merecem. Nascia nesta data, um dos clubes mais tradicionais do cenário nacional. Nascia a fidalguia, nascia a esperança. Nascia o Tricolor das Laranjeiras, ou simplesmente, a paixão chamada Fluminense. Já existia Clubes de Regatas de Flamengo, Vasco e Botafogo, mas o Fluminense deu  início às atividades do Futebol no Estado do Rio de Janeiro. Anos mais tarde, alguns jogadores em conflito com a direção do clube, fundaram o Futebol do arqui-rival Flamengo. No primeiro confronto entre os dois, melhor para a “matriz”: 3 x 2 para o Tricolor. A contribuição ao futebol brasileiro não parou por ai. Fluminense foi o clube que mais cedeu jogadores no início da atividades da nossa Seleção Brasileira. E como na época não haviam alternativas, o Fluminense construiu seu estádio e foi a casa da nossa seleção. Portanto, o selecionável de nosso país, também nasceu nas Laranjeiras. O primeiro gol da Seleção Brasileira em Copas do Mundo, também foi marcado por um Tricolor, Preguinho. Isso é Fluminense.

Em 1949, o Fluminense Football Club foi homanageado com a Taça Olímpica, que consistia em um comitê julgar qual a instituição mais bem organizada e que mais fez pelo esporte, e recebeu a honraria. Aliás, é o único clube polidesportivo do Mundo a receber a Taça(Sim, nosso clube um dia já foi o mais organizado do Mundo). Em 52, o Tricolor participou de um torneio mundial aqui no Brasil(mais ou menos igual ao Corinthians em 2000). Venceu o time do Peñarol que tinha nada menos do que 6 jogadores que haviam conquistado dois anos antes a Copa do Mundo de 50 contra o Brasil.

Em 75, o então Presidente Francisco Horta montou uma verdadeira máquina de jogar futebol: a Máquina Tricolor. O Fluminense tinha Rivellino, Paulo Cesar Caju, Carlos Alberto Torres e uma constelação de craques. Todos na Europa queriam ver a tal Máquina em ação e o Tricolor colecionou títulos de torneios de verão nessas excursões. Porém faltou título de expressão como um Brasileiro ao ‘timinho’. Em uma das semifinais de Brasileiro chegou a perder nos pênaltis para o Corinthians depois de muita chuva durante o jogo. Chegou a jogar com o timaço do Bayern de Munique que havia 5 jogadores campeões mundiais pela Alemanha em 74. O time das Laranjeiras venceu por 1 a 0 mas foi pouco diante da diferença técnica e volume de jogo.

Nos anos 80, foi tricampeão carioca seguido, sendo duas delas sobre o maior rival, Flamengo. E ecoava no Maracanã a maior alegria da galera: “Reecordar é viveer, Assis acabou com vocês”. Em 84, mais um rival sofreu. Foi contra o Vasco que o clube das três cores se consagrou Campeão Brasileiro. Em 94, o Fluminense ganhou de forma humilhante o Botafogo por 7×1. Um ano depois, o Fla-Flu mais conhecido de todos. Flamengo estava prestes a ser campeão e precisava de 1 ponto para ser campeão. Deixou para última rodada contra o time que poderia alcançá-lo. O Tricolor chegou a estar vencendo por 2 a 0, permitiu o empate e como toda boa ficção foi marcar o gol aos 42 do segundo tempo com um gol de barriga de Renato Gaúcho. Logo após, tempos negros chegaram. Foi rebaixado por duas vezes no Campeonato Brasileiro para a Segunda Divisão. E depois mais uma vez para a Terceira Divisão. Mas isso teria que servir para alguma coisa. E serviu. Sua torcida apaixonada não largou o time e acompanhou o time no fundo do poço. A volta do Gigante estava perto. E com a ajuda e apoio incondicional dos fanáticos, saiu da lama. Graças também ao nosso ídolo Parreira. Isso também é Fluminense.

Ainda no século XX, o Fluminense mostrou porque é Gigante, terminou em 3º na primeira fase do Nacional. Depois de ser chacota porque voltou indevidamente para a elite, foi melhor que rivais como Flamengo e Botafogo. O time da Terceira Divisão era melhor que os da Primeira, vai entender. Século novo, vida nova. E assim feito. Terminou como campeão maior estadual do Século XX. Voltou a brigar entre às potências mas ainda faltava título. E ganhou dois Cariocas. Um no Centenário e outro em um gol quase espírita em 2005. Faltava à nivel Nacional. Foi Campeão da Copa do Brasil 2007 e foi para a Libertadores. Ahhh, Libertadores…Festas inesquecíveis e jamais vistas nas arquibancadas com tanta intensidade. Depois de nunca ter passado da primeira fase, passou em primeiro no geral. No jogo que muitos consideram o mais memorável e emocionante ganhou a classificação do São Paulo aos 48 minutos do 2º tempo. Um clube brasileiro não ganhava do Boca Juniors em Libertadores, desde a Era Pelé. Ganhou dos argentinos. Foi perder o título para a LDU do Equador. Quem? Oi?! É, Fluminense. Explicar o inexplicável, sabe.

Em uma de outras tantas travessuras que o Tricolor prega, o time quase foi rebaixado novamente. Já era dado como rebaixado por comentaristas, torcedores rivais e até do próprio clube. Mas a maioria e os mais fiéis, não.
Com um espírito guerreiro e incentivado pela torcida, engrenou e praticou quase um milagre, deixando o time na Primeira Divisão Nacional. No ano seguinte, pasmém, Campeão Brasileiro 2010. Aliás, o único time que conseguiu o título de Campeão Brasileiro após disputar uma divisão inferior. É o sentimento chamado Fluminense. O orgulho de ser Tricolor. Que deixa todo tricolor nervoso. E apaixonado por este clube, cada vez mais…

FLUMINENSE, PARABÉNS E MUITO OBRIGADO POR EXISTIR.

Torcida Bipolar

Quando ganhamos somos os melhores do mundo, quando perdemos o time não presta, tem  que trocar treinador, fazer reformulação. A linha que separa as vaias do aplauso é praticamente invisível. Desaprendemos a perder. Culpa de Pelé, de Garrincha, de Romário, de Ronaldo, que nos acostumaram com os títulos. Culpa das cinco estrelas que carregamos no peito e que causam inveja em outras seleções. Culpa de uma geração que acha que o futebol é um jogo de Playstation.

Também me decepcionei com a atuação da Seleção Brasileira nessa Copa América, mas não compartilho esse pensamento de tragédia pela eliminação diante do Paraguai. O futebol nos proporciona situações como a de hoje quando fomos superiores durantes os 120 minutos do jogo e acabamos perdendo nos pênaltis. Discordo do Mano Menezes quando coloca a culpa no péssimo estado do gramado. Campo ruim para nós, campo ruim para eles também. Fomos eliminados porque não soubemos cobrar os pênaltis. Ponto.

Essa não foi a primeira e nem será a última vez que acontecerá. O que tem de ser revisto no momento é a tal de reformulação feita após a Copa do Mundo de 2010. Apenas um ano se passou e cometemos erros parecidos com o do passado. Seleção não é família, não é grupo do Bolinha. Não dá mais para aceitar que o melhor de cada posição não seja convocado de uma competição oficial como forma de castigo. Assim como não dá mais também para aturar imaturidade de alguns jogadores (e não falo somente dos mais novos). É preciso que a comissão técnica faça um trabalho para conscientizar o grupo de que a Seleção não é lugar para celebridades e muito menos uma forma de trampolim para empresários faturarem mais grana. Lúcio já mandou o recado. A camisa é muito mais importante que o nome. Teremos até 2014 para saber se o recado foi ou não entendido.

Até lá temos que apoiar a geração que temos em mão. Parar de olhar o quintal do vizinho e saber valorizar o nosso. É preciso lapidar os jovens e não crucificá-los a cada derrota. E o primeiro passo para tirar a pressão do ombros desses garotos é deixar o passado em seu devido lugar: na memória ou nos livros de história. Não haverá outro Pelé, Zico, Romário ou Ronaldo. O futuro é de Neymar, Ganso, Lucas, Pato e Cia.

E teve boatos de que o futebol carioca estava na pior

Fla Campeão Brasileiro de 2009 – Flu Campeão Brasileiro de 2010

VASCO CAMPEÃO DA COPA DO BRASIL 2011

(crédito: UOL)

SE ISSO É TÁ NA PIOR, PORRÃN…

No futebol não há verdade absoluta. Não adianta ter uma estrutura, um time de estrelas, se não houver o principal: a vontade de ganhar. E é exatamente isso que o futebol carioca mostrou nesses últimos anos. O Vasco é a última prova disso.

Há cinco meses atrás o vascaíno sofria com a péssima campanha do time no campeonato carioca. O futuro era assustador, sem nenhuma perspectiva. Até que chegou Ricardo Gomes. Um treinador sem títulos importantes na carreira e sob a desconfiança de todos. Com um elenco limitado nas mãos teve paciência e preferiu não inventar. Aos poucos, com a chegada de reforços, foi dando a cara de um time vencedor.

Vale destacar também o trabalho feito pelo presidente Roberto Dinamite. Uma resposta a quem ainda insistia com a ideia da volta de Eurico Miranda.

Oito anos depois o torcedor vascaíno volta a ter orgulho de vestir a camisa cruzmaltina e com todo merecimento. Que a Copa do Brasil seja a última pá de cla no passado de tristeza.

PARABÉNS, VASCÃO!!

 

 

Gol do PeTRI 10 anos!

Ajoelhado no meio da sala estava um garoto então com seus 12 anos. Para ele não existia razão no futebol. Era 100% coração. Olhos marejados pela situação, promessas para todos os santos, era a última chance. O árbitro autoriza a cobrança de falta e…

Mais do que um gol. Aos 43 minutos do segundo tempo da final do Campeonato Carioca de 2011, naquele dia 27 de maio, um sérvio entraria de vez para a história do Flamengo. Era Dejan Petkovic. Gol do quarto TRI Campeonato Estadual Rubro Negro.

Uma década se passou e aquele gol continua vivo na memória de todo torcedor e na história do Maracanã. Antológico é o adjetivo que melhor descreve o que se passava naquele momento. Todos tinham noção de que estavam vendo a história do futebol se passando bem em sua frente.

Não foi apenas o gol do TRI, era o surgimento de um ídolo. Pet foi marcante no Vasco e no Fluminense, mas foi no Fla que ele se tornou o que é hoje, foi naquele dia 27 de maio de 2011. Talento inquestionável, temperamento difici, muito contestado. Pet sonhou, lutou, perdeu e ganhou. Petkovic tornou-se eterno.

Aquele garoto ajoelhado no meio da sala, quase chorando, era eu. Hoje, 10 anos depois daquela conquista, o coração deu lugar a razão, mas ainda não me impede de me emocionar a cada vez que revejo o gol. Volto ao tempo e sinto a mesma emoção do que aquele garoto de 12 anos.

#goldopet10anos

 

O último LANCE!

O relógio marcava 00:14 e lá se iam 7 meses e 6 dias no LANCE! O apito final já tinha sido dado e estavamos apenas por conta do juiz. O árbitro queria jogo, mas era inevitável o término da partida. Foi aí que a ficha caiu.

No dia 14 de outubro de 2010 entrava no LANCE! mais um estagiário com o horizonte de dois anos de contrato pela frente. Cheio de expectativas e um pouco assustado.Trabalhar no lugar que foi primordial para a escolha da profissão que seguiria ao longo de minha vida era um sonho, realizado muito antes do que eu mesmo esperava.

Aos poucos a realidade foi se mostrando um pouco diferente. Fora da área com que tinha sonhado, superei todas as dificuldades pelo desejo de fazer parte daquela rotina.Estar na redação e viver o clima de esportes me fazia feliz, mas faltava algo a mais. Escrever.

Poder estar perto de craques  do passado como Carlos Alberto Torres, Andrade, Zico, Rivellino, Roberto Dinamite, Adílio; do presente como Ronaldinho, Thiago Neves, Loco Abreu, Fred, Conca; e monstros do jornalismo como Luis Mendes, faz valer a pena qualquer emprego. Ali eu tinha mais do que certeza de que era aquilo queria para mim. Conseguia entender a frase de confuncio: “Trabalha no que gostas e não terás que trabalhar um único dia em tua vida”.

Porém, a rotina começou a pesar. Conciliar faculdade e estágio estava cada vez mais complicado. Passei a entender a dificuldade que o jogador tem em se aposentar. O cérebro quer continuar, mas o corpo não aguenta e chega uma hora que ele fala mais alto. A minha chegou nesse dia 19 de maio de 2011.

A oportunidade de trabalhar na TV Bandeirantes apareceu e eu não podia desperdiçar. O tempo para pensar foi pequeno, mas o suficiente para não deixar o coração falar mais alto do que a razão. Aceito o desafio, parto para uma nova fase em minha vida.

Podem ter certeza que sentirei muita falta do LANCE!, dos amigos que lá fiz, da rotina de jogos, da tiradas engraçadas do pessoal do jornal Mais, dos fins de semanas perdidos na redação.

Será estranho não ouvir mais o diálogo entre os amigos:

– Onde está o Cesar?

– Tá no LANCE!

Despedidas sempre deixam saudades e essa não é diferente. Ver o taxi virar a esquina e a redação ficar mais longe deu um nó na garganta, mas é vida que segue. A partir de amanhã quero honrar o time da Band assim como fiz durante sete meses de LANCE!

Agradeço a todos que fizeram parte dessa história e me despeço com um “Até Breve”.

Cesar Abrantes