Ensaio sobre a cegueira Rubro Negra

A implicância da torcida do Flamengo com Ronaldinho Gaúcho tem a impedido cada vez mais de enxergar os outros problemas que influenciam de forma direta os resultados. Contra o Internacional, a mesma torcida que cobrou mais respeito de Ronaldinho com a camisa do clube, foi a que o ovacionou após o gol de pênalti e o vaiou ao ser substituído no segundo tempo. E assim vem sendo durante esse um ano e meio em que o jogador está no clube. O jogador acerta um lançamento vira melhor do mundo, perde uma bola e merece sair do clube.

E foi justamente uma bola perdida no meio do campo que na sequência resultou no gol de empate do time colorado, que desencadeou a reação exaltada da torcida na saída do camisa 10 no segundo tempo. Um contra-ataque que não representaria qualquer perigo caso o time tivesse uma defesa sólida e que não se afobasse, já que na hora do chute do Dátolo o  tinham cinco jogadores da defesa do Fla contra três do ataque do Inter. Nada teria acontecido caso Ibson lembrasse que nunca se dá um bote de primeira da forma como ele fez. O mesmo Ibson que dominou de forma errada a bola proporcionando o contra-ataque no primeiro gol do Inter. O mesmo Ibson que perdeu dois gols na cara do goleiro que poderiam ter mudado a história do jogo ainda no primeiro tempo. Mas Ibson é uma cria da base, chegou com status de grande contratação do ano, estava fazendo sua reestreia pelo clube do coração e mostrou uma vontade ainda não vista em outras ocasiões no elenco Rubro Negro e por isso foi poupado pela exigente torcida.

Só que Ronaldinho não joga sozinho, ele é obrigado a jogar ao lado de uma zaga que só sabe sair jogando na base do chutão para frente. Durante os 90 minutos nem González nem Wellinton conseguiram sair jogando com a bola no chão e quando tentavam era um deus nos acuda. Ronaldinho também é treinado por um técnico que merece respeito por sua história no futebol, mas já indica desgaste com grupo e mostra-se totalmente perdido. Primeiro errou ao trocar o melhor marcador do time, Aírton, por um jogador que ainda não tem entrosamento com o time, Amaral. Depois erro em dose dupla, time empatando e ao invés de colocar o time para o ataque e buscar a vitória, preferiu trocar Ronaldinho por Deivid e tirar Luiz Antônio e colocar Renato. O time virou um bando. Deivid e Love isolados na frente sem ter quem os entregassem as bolas eram obrigados a voltar e facilitavam o trabalho da defesa colorada. Enquanto isso, a defesa Rubro Negra tomava pressão nos contra-ataques. Ronaldinho também joga em um time que não estuda o adversário, trabalho de responsabilidade da comissão técnica. Caso o estudasse não tentariam tantos lançamentos para o isolado Vagner Love no meio de dois zagueiros altos.

Enquanto a torcida não abrir os olhos para os verdadeiros problemas Rubro Nego e continuar achando que a solução para tudo é a saída do camisa 10, o clube continuará os envergonhando durante essa temporada. Ronaldinho tem sim sua parcela de culpa, mas como diz o ditado: ruim com ele, pior sem ele.

 

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