Saudades…

alemanha-campea-taca-wilton-junior-estadao-13072014-627x353Hoje foi um domingo diferente. Não era pra menos. 13 de julho de 2014: final da Copa do Mundo entre Alemanha e Argentina, no Maracanã. Lembrei de um velho amigo que nos deixou em dezembro de 2012, aos 95 anos, levando junto todas as histórias que me faziam viajar pelo tempo: meu velho e querido avô. Veio a saudade dos dias em que sentávamos na porta da casa de praia da minha tia em Coroa Grande e lá conversávamos, observando a vida passar. Eu deveria ter pouco mais de 11 anos.

O ano de uma das resenhas era 1950. O dia, 16 de julho: Final da Copa do Mundo entre Brasil e Uruguai. Dono de um bar na região do Maracanã, meu avô tinha tanta certeza da vitória brasileira que já tinha deixado tudo preparado um dia antes do grande dia. Porém, quiseram os Deuses do futebol que tudo fosse diferente naquele dia. O Maracanã conheceu o silêncio mais ensurdecedor da história após o gol de Ghiggia. A incredulidade era tamanha que essa ausência de barulho se alastrou pelas ruas após a derrota e a consequente perda do título mundial. Nas ruas, as pessoas seguiam em uma verdadeira marcha fúnebre. E lá, no meio do caminho, estava o bar do meu avô amargando um prejuízo inestimável. O tempo havia parado. A partida dos sonhos dos brasileiros tornava-se a maior tragédias de Copas do Mundo.

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Eu percebia a frieza do meu avô ao me contar a história, mas era novo demais para ter a verdadeira dimensão daquele sofrimento de décadas antes do meu nascimento. Pois ao longo do tempo fui percebendo que não era bem assim. Lá no fundo, meu velho amigo mantinha vivo um sentimento de tristeza, cicatrizado com as marcas do tempo na memória. Não tinha sido apenas a perda de um título, era um orgulho ferido de toda uma nação, que não teve forças para fazer escândalos, que chorou em silêncio. Outrora ídolos, jogadores foram condenados a uma prisão perpétua.

64 anos depois…

O Brasil voltou a disputar uma Copa do Mundo em casa em 2014. O time sempre esteve longe de ser uma unanimidade, mas chegava credenciado como favorito por, além de estar jogando em seu próprio território, ter conquistado a Copa das Confederações em 2013. Além do fantasma uruguaio de 50, o país lidava com a desconfiança em relação à infraestrutura para receber os turistas. Trinta dias depois o povo mostrou que o “jeitinho brasileiro” não era apenas uma lenda e realizou a Copa das Copas. Sim, o povo. Essa Copa do Mundo só foi um sucesso devido ao calor humano e a receptividade do brasileiro. não acreditemos nas propagandas políticas.

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Dentro de campo a seleção brasileira decepcionou mais uma vez. Desta vez meu querido avô não estava aqui para assistir a tal vergonha. Ainda bem, pois não merecia sofrer novamente. Ele estava longe de ser um torcedor apaixonado ou fanático pelo Brasil, o Vasco despertava muito mais seu interesse, mas tenho certeza que se fosse vivo e tivesse assistido ao vexame diante da Alemanha ao meu lado, ao final do jogo me olharia, daria aquele sorriso sem graça e diria: “É, meu neto, não deu”. Sem sentimento de dor, tristeza ou lágrimas nos olhos, apenas com seu jeito sereno. Afinal, ele já havia vivido 1950.

Que saudades daquelas resenhas com meu avô nos finais das tardes nas minhas férias. Saudades de suas histórias que me faziam voltar ao tempo sem nem mesmo tê-lo vivido. Que saudade irei sentir dessa Copa do Mundo, a Copa das Copas, a melhor de todos os tempos, aquela que ninguém irá esquecer, que nem mesmo a humilhação sofrida pela nossa seleção para os futuros campeões irá conseguir apagar seu brilho.

Não, a Copa de 2014 nem de longe lembrou a tristeza da de 1950, não apagou a derrota para o Uruguai na final que nos tirou o primeiro título. Construímos uma nova história, mas não ganhamos um novo fantasma. Que dessa vez repitamos o passado, aprendamos com nossos erros e voltamos a levantar a taça de campeão mundial novamente. Que venha 2018, que venha a Copa do Mundo da Rússia.

argentininha

Obrigado, Alemanha. Obrigado, Argentina. Obrigado, brasileiro por terem feita dessa Copa um evento inesquecível para o mundo inteiro. Obrigado, vô, por mesmo sem saber ter me ensinado tanto com aquelas nossas resenhas.

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100 ANOS DE NELSON RODRIGUES

Há quase seis anos, dois alunos do Colégio Pedro II decidiam fazer um blog. Um tricolor e outro Rubro Negro. Em comum a admiração por Nelson Rodrigues. Hoje, no dia em que completaria 100 anos, não poderíamos deixar essa data passar em branco. Quantas vezes não pedimos licença para utilizar uma frase desse gênio da dramaturgia brasileira e assim dar um pouco mais de emoção ao texto. Até uma entrevista póstuma realizamos (a qual considero um dos melhores post desse blog).

Nelson Rodrigues nos ensinou a ver o futebol não como uma guerra, mas sim como um espetáculo no qual o personagem principal, os coadjuvantes, o mocinho e o vilão são escolhidos após os 90 minutos. Nelson nos mostrou o verdadeiro significado da rivalidade. Ser rival não é odiar o outro time ou o torcedor adversário, é saber conviver com quem pensa diferente. Nelson não tinha vergonha de admirar a torcida Rubro Negra, a grandeza vascaína, os craques botafoguenses. E isso não o fazia menos tricolor. O Fluminense tinha lugar especial em seu coração.

Sim, quando falamos em tricolor nesse blog, sempre nos referimos ao Fluminense. Como diria nosso ídolo, os outros são apenas times de três cores.

O gênio centenário hoje não está mais entre nós, mas sua memória está viva em cada crônicas, peças e livros. Nelson Rodrigues faz falta ao jornalismo, à dramaturgia, à vida. Poucas pessoas conseguiram enxerga-lá tão bem e Nelson foi um deles. Obrigado por não ter sido mais um desses idiotas da objetividade, por mostrar que o jornalismo também é feito de sentimentos.

Abaixo segue a entrevista póstuma feita pelo blog feita em 2010:

Inspiração dos idealizadores do blog, Nelson Rodrigues finalmente tornou-se o tema principal de um de nossos posts.

Um dos grandes responsáveis, ao lado do irmão Mário Filho, por umas das maiores rivalidades do futebol brasileiro, quiçá Mundial, Nelson Rodrigues expressou todo seu amor pelo clube das Laranjeiras, revelou uma admiração pelo Rubro Negro, mas sem deixar a gozação de torcedor de lado, em entrevista póstuma exclusiva concedida ao NEWSFUT! no dia em que completou 30 anos de sua morte.

NEWSFUT!: Para qual time você torce?

Nelson Rodrigues: ‘Sou tricolor, sempre fui tricolor. Eu diria que já era Fluminense em vidas passadas, muito antes da presente encarnação’

N!: Por que você escolheu torcer para o Flu?

N.R.: ‘Ser tricolor não é uma questão de gosto ou opção, mas um acontecimento de fundo metafísico, um arranjo cósmico ao qual não se pode – e nem se deseja – fugir’

N!: Tricolor existe muitos. Bahia, Grêmio, São Paulo…

N.R.: ‘O Fluminense é o único time tricolor do mundo. O resto são só times de três cores’

N!: Você torceria para o Flamengo?

N.R.‘Cada brasileiro, vivo ou morto já foi Flamengo por um instante, por um dia’

N!: Por isso o Fla tem a maior torcida do Mundo?

N.R.‘O Flamengo tem mais torcida, o Fluminense tem mais gente!’

N!: O que te chama a atenção na torcida do Flu?

N.R.: Uma torcida não vale a pena pela sua expressão numérica. Ela vive e influi no destino das batalhas pela força do sentimento. E a torcida tricolor leva um imperecível estandarte de paixão’

N!: Qual a diferença entre a torcida do Fla e Flu?

N.R.: ‘Pode-se identificar um Tricolor entre milhares, entre milhões. Ele se destingue dos demais por uma irradiação específica e deslumbradora’

N!: Com o Maracanã fechado, onde é o melhor lugar para o Flu mandar seus jogos?

N.R.: ‘Se o Fluminense jogasse no céu, eu morreria para vê-lo jogar’

N!: Depois de ter caído para série C do Brasileirão, o Flu ainda pode ser considerado um time grande?

N.R.: ‘Grandes são os outros, o Fluminense é enorme’

N!: Qual o melhor time do mundo?

N.R.: ‘Eu vos digo que o melhor time é o Fluminense. E podem me dizer que os fatos provam o contrário, que eu vos respondo: pior para os fatos’

N!: O que você prevê para o Flu em 2011?

N.R.‘Se quereis saber o futuro do Fluminense, olhai para o seu passado. A história tricolor traduz a predestinação para a glória’

Gol do PeTRI 10 anos!

Ajoelhado no meio da sala estava um garoto então com seus 12 anos. Para ele não existia razão no futebol. Era 100% coração. Olhos marejados pela situação, promessas para todos os santos, era a última chance. O árbitro autoriza a cobrança de falta e…

Mais do que um gol. Aos 43 minutos do segundo tempo da final do Campeonato Carioca de 2011, naquele dia 27 de maio, um sérvio entraria de vez para a história do Flamengo. Era Dejan Petkovic. Gol do quarto TRI Campeonato Estadual Rubro Negro.

Uma década se passou e aquele gol continua vivo na memória de todo torcedor e na história do Maracanã. Antológico é o adjetivo que melhor descreve o que se passava naquele momento. Todos tinham noção de que estavam vendo a história do futebol se passando bem em sua frente.

Não foi apenas o gol do TRI, era o surgimento de um ídolo. Pet foi marcante no Vasco e no Fluminense, mas foi no Fla que ele se tornou o que é hoje, foi naquele dia 27 de maio de 2011. Talento inquestionável, temperamento difici, muito contestado. Pet sonhou, lutou, perdeu e ganhou. Petkovic tornou-se eterno.

Aquele garoto ajoelhado no meio da sala, quase chorando, era eu. Hoje, 10 anos depois daquela conquista, o coração deu lugar a razão, mas ainda não me impede de me emocionar a cada vez que revejo o gol. Volto ao tempo e sinto a mesma emoção do que aquele garoto de 12 anos.

#goldopet10anos

 

DO GRAMADO À AVENIDA

por André Ramos

Se você é torcedor do Flamengo com certeza já cantou “Cobra coral/ Papagaio vintém/ Vesti rubro-negro/ Não tem pra ninguém” nas arquibancadas do Maracanã. Se é vascaíno, já entoou “Vamos vibrar meu povão, é gol, é gol/ A rede vai balançar, vai balançar/ Sou Vasco da Gama, meu bem/ Campeão de terra e mar” durante um jogo em São Januário. O que talvez você não saiba é que esses versos fazem parte de sambas-enredo apresentados pela Estácio de Sá e Unidos da Tijuca em 1995 e 1998, respectivamente. E não deve saber que outros times, como o atual campeão brasileiro Fluminense, também já foram homenageados por agremiações cariocas. Dentre os quatro grandes times do Rio, apenas o Botafogo nunca foi enredo de uma escola de samba. Em compensação, o América, clube  tão querido pelos cariocas, já teve sua história mostrada na Avenida.

Fazer um enredo sobre um clube é, para a escola de samba, uma faca de dois gumes. Por um lado, irá despertar a simpatia dos torcedores do determinado time, fazendo inclusive com que o samba seja sempre lembrado e cantado pela torcida, como foi o caso de Flamengo e Vasco. Por outro lado, imagine um flamenguista que estivesse desfilando pela Tijuca precisando cantar a plenos pulmões que o Vasco é campeão de terra e mar? Complicado… Mas se as rivalidades forem deixadas nos gramados, os enredos relativos ao futebol podem garantir um belo espetáculo e fazer com que o carnaval mexa ainda mais com a paixão dos cariocas. Sem falar que algumas agremiações obtiveram bons resultados ao falar sobre o esporte.

G.R.E.S. ESTÁCIO DE SÁ

nwfestácio95A Estácio de Sá foi a primeira escola a unir futebol e carnaval ao fazer um enredo sobre o Flamengo, em 1995. O samba acabou se tornando um dos mais conhecidos da escola e até hoje é difundido pela imensa torcida rubro-negra. De um ponto de vista técnico, é um dos melhores sambas-enredo sobre clubes, unindo uma boa letra a uma melodia valente, que é praticamente um requisito para o tema. O desfile também foi muito bom, rendendo à Estácio o quinto lugar do grupo Especial.

OUÇA O  SAMBA DE 95 DA ESTÁCIO:


Baixe aqui: http://www.4shared.com/audio/U7e8_6sO/NWF_-_ESTCIO_95.html

Enredo: Uma vez Flamengo…
Compositores: David Correa, Adilson Torres, Déo e Caruso

O céu rasgou
Na noite que reluzia
Um show de estrelas
Brilhou nos olhos
De um novo dia
A poesia
Enfeitada de luar
Encantou o Estácio (a paixão)
Paixão que arde sem parar

É tengo tengo
No meu quengo é só Flamengo
Uh, tererê
Sou Flamengo até morrer

Seis jovens remadores
Fundam o grupo de regatas
Campeão o seu destino (ô)
É ganhar em terra e mar
Fazendo sol
Pode queimar, pode chover
Vou ver Fla-Flu
Fla-Vas vou ver
Diamante Negro, Fio Maravilha
Domingos da Guia, Zizinho, Pavão
Gazela negra
Corre o tempo no olhar
Será que você lembra
Como eu lembro o mundial
Que o Zico foi buscar
Só amor
Na alegria e na dor (ôô)
Parabéns dessa galera
Cem anos de primavera

Cobra coral
Papagaio vintém
Vesti rubro-negro
Não tem pra ninguém

G.R.E.S. UNIDOS DA TIJUCA

nwftijuca98Em 1998, a Unidos da Tijuca homenageou o Vasco da Gama, num enredo que mesclava a história do clube com o navegador português. O samba também é bastante conhecido, sendo sempre cantado pela torcida vascaína. Tem uma melodia bastante empolgante, mas sua letra não é tão elaborada, sobretudo quando fala do clube. O desfile da agremiação tijucana foi péssimo. Acabou em penúltimo lugar no Especial, sendo rebaixada após onze anos consecutivos na elite.

O SAMBA DA UNIDOS DA TIJUCA DE 1999:

Baixe aqui: http://www.4shared.com/audio/JjweG_KW/NWF_-_TIJUCA_98.html

Enredo: De Gama a Vasco, a epopéia da Tijuca
Autores: Adalto Magalha, Serginho do Porto, Márcio Paiva e Adilson Gavião

Através da mão divina (amor)
Naveguei, naveguei
O meu sonho de menino
Quis assim o meu destino
Portugal e toda a Europa encantei
Naveguei
E novos povos encontrei
Por tempestades e lendas eu passei
Para um almirante a coragem é a lei
Por tantos mares viajei
Na Índia, eu então cheguei
Veio o progresso nessa aventura
Descobertas e culturas

É nessa onda que eu vou
O povo vai recordar
Vem com a Unidos da Tijuca festejar

Rio de Janeiro, brasileiro, meu irmão
Sou Vasco da Gama tantas vezes campeão
Quando entra no gramado me alucina
Esse clube da colina, centenário de paixão
Estrela no céu a brilhar
Que faz essa galera delirar

Vamos vibrar meu povão (é gol, é gol)
A rede vai balançar, vai balançar
Sou Vasco da Gama, meu bem
Campeão de terra e mar

G.R.E.S. ACADÊMICOS DA ROCINHA

O tricolor das Laranjeiras foi enredo da Acadêmicos da Rocinha em 2003. Desfilando pelo grupo de Acesso A, a escola também não obteve um bom resultado, ficando com a décima colocação. O samba não é muito conhecido e também não possui muitas qualidades, mas fica o registro da homenagem prestada pela agremiação de São Conrado ao centenário do Fluminense.

OUÇA O SAMBA DA ACADÊMICOS DA ROCINHA DE 2003:


Baixe aqui: http://www.4shared.com/audio/mlZsOMOI/NWF_-_ROCINHA_03.html

Enredo: Nas Asas da Realização, entre Glórias e Tradições, a Rocinha faz a Festa dos 100 Anos de Campeão… Sou Tricolor de Coração!
Compositores: Thiago, Branco, Fabiano, Diego e Rubinho da Locadora

Cruzou no céu a borboleta
Numa fantástica viagem multicor
E veio exaltar na passarela em forma de poesia
O brilhantismo e a tradição do tricolor
Hoje a Rocinha ergue a bandeira do querido pavilhão
E traz Nelson Rodrigues pra essa festa
Dos cem anos de um clube tantas vezes campeão
Vamos lá nação que a hora é essa

Mas que emoção, meu coração incendeia
Sou pó-de-arroz, sou tricolor na veia
Das pistas campeão, das quadras vencedor
Unido e forte pelo esporte com vigor

Na arte, na cultura e no lazer
Seu lema é vencer com uma força sem igual
No salão nobre, festas, bailes que beleza
Recebia a nobreza, um clube social
Na sua história entre títulos e glórias
A Taça Olímpica sua maior vitória
E hoje a torcida comemora o encontro genial
Do samba, futebol e carnaval

Abre seu coração, diga violência não
Vem com a gente se acabar nessa folia
Vem gritar com emoção, são cem anos de paixão
Sou tricolor de coração e sou Rocinha

G.R.E.S. UNIDOS DA PONTE

nwfponte04O América tem muita coisa em comum com a escola da qual foi enredo, a Unidos da Ponte. Ambos são instituições tradicionalíssimas, que fizeram história no passado mas hoje em dia passam por maus momentos. A simpática agremiação de São João de Meriti fez do centenário do América seu enredo para o desfile de 2004. A escola estava no grupo de Acesso B, a terceira divisão do carnaval carioca, o que faz com que o desfile e o próprio samba não tenham tanta divulgação. Mas a obra apresentada pela Ponte é muito gostosa de ouvir e cita vários momentos marcantes da história do clube tijucano. Apesar de não ter subido de grupo, a escola conseguiu uma boa colocação: quinto lugar.

OUÇA O SAMBA DA UNIDOS DA PONTE DE 2004:

http://www.4shared.com/audio/-1iiEwcG/NWF_-_PONTE_04.html
Enredo: Hei de torcer, torcer, torcer… América, 100 anos de paixão
Compositores: Willian Ferreira e Jovaci

Desperta ô, é hora
“Sangue, a cor do nosso coração”
Hei de torcer, torcer, torcer
América, cem anos de paixão
A vibração que vem da arquibancada
Terminou outra jornada
Nosso time é campeão
Do centenário, da Independência
E da Guanabara o primeiro vencedor
Talento, garra, fibra e competência
Dos craques que a Copa nos vingou

Na arte do jogo
Em campo o show
Tem bola na rede
Tem grito de gol

Lamartine fez a obra-prima
O hino que orgulha quando ecoa
Tremulando o pavilhão
Ilustres torcedores dominados de emoção
A sede da Tijuca foi um marco social
Glórias e conquistas no esporte amador
Rei Momo domina a cidade
E o “Baile do Diabo” começou

Hoje a Ponte é Baixada
Pelo América torcer
Vem Brasinha, apaga a vela
Esta festa é pra você

G.R.E.S. TRADIÇÃO

nwftradicao03E não é só nas homenagens a clubes que o futebol esteve presente no carnaval. O jogador Ronaldo, que recentemente encerrou sua carreira, também já foi enredo. Em 2003, a Tradição fez do craque o tema de seu desfile, motivada pela conquista brasileira da Copa do Mundo no ano anterior. Apesar da justa homenagem, o samba da escola é considerado um dos piores da história do carnaval carioca. Tendo se tornado uma obra quase folclórica entre os sambistas. A verdade é que é um sambinha bem simpático, que pode não ser bom tecnicamente mas que gruda no ouvido. A Tradição, por não ser uma escola de muitos recursos, não fez um desfile qualificado e acabou na penúltima posição do grupo Especial, a um passo do rebaixamento.

OUÇA O SAMBA DA TRADIÇÃO DE 2003:

Baixe aqui: http://www.4shared.com/audio/h3nLFjDq/NWF_-_TRADIO_03.html

Enredo: O Brasil é penta, R é 9 – O fenômeno iluminado
Compositores: Lourenço e Adalto Magalha

É fantástico, ser brasileiro
Com muito orgulho, muita paz e muito amor (ôôô)
E o globo vai girando, a gente fazendo história
E vitórias conquistando
Quando Deus criou a Terra, nos deu a luz do sol
Também fez nosso Brasil, o país do futebol
Começou lá na Suécia, a segunda vez no Chile
A alegria da nação, ai que paixão
E no solo mexicano, depois no americano
Foi aquela emoção, pro meu povão
Se formou uma família, uma grande seleção
Foi aquele show de bola, na Coréia e no Japão

Ai ai ai, oh, vida me leva
Ai ai ai, deixa a vida me levar
Ai ai ai, eu tô nessa festa
Eu quero mais é festejar

O Ronaldo iluminado, dono da camisa nove
Nasceu em Bento Ribeiro, no Rio de Janeiro
Um menino inspirado, pelo mundo consagrado
O fenômeno brasileiro
Da bola que era um brinquedo
Dadado fez seu reinado
Destino não tem segredo
Já veio nele traçado
Um guerreiro abençoado, nos campos que jogou
Ninguém pode duvidar, ele tem cheiro de gol

É bola na rede
A nossa Tradição
É bola na rede
É pentacampeão

G.R.E.S. BEIJA-FLOR

nwfbeija86Como um todo, o futebol também já passou pela Avenida num dos desfiles mais emocionantes da Sapucaí. Em 1986, a Beija-Flor fez um desfile que é lembrado até hoje devido ao temporal que a escola enfrentou na hora de sua apresentação. Mesmo com água até o joelho, os componentes mantiveram a garra e fizeram com que, mesmo com fantasias e alegorias encharcadas, a escola conseguisse o vice-campeonato do grupo Especial. O samba é um dos mais conhecidos da escola. É bem leve e compacto, completamente diferente do atual estilo da escola.

OUÇA O SAMBA DA BEIJA-FLOR DE 1986:

Baixe aqui: http://www.4shared.com/audio/DDvme_MP/NWF_-_BEIJA-FLOR_86.html

Enredo: O mundo é uma bola
Autores: Betinho e Jorge Canuto

Brasil, Brasil, Brasil, oi
Canta forte e explode de alegria
O mundo é uma bola
Girando, girando
Em plena euforia
Elando a corrente
Pra frente, pra frente
E a vitória conquistar
Com os heróis da nossa seleção
Vibrantes com o grito popular

Tudo em cima novamente
Sobrevoando a passarela
Que beleza a Beija-Flor
Sacudindo esta galera

Do Oiapoque ao Arroio Chuí
Tem folclore, tem mandinga
Oh, torcida campeã

O meu Rio de Janeiro
O ano inteiro é samba e Maracanã

Se esta profusão de cores
Sensibiliza o visual
A arte é jogar bola
Vai na Copa e faz um carnaval (é milenar…)

É milenar
A invenção do futebol
Fez o artista
Ter um sonho triunfal

O mundo é mesmo uma bola, como cantou a Beija-Flor. E o futebol é pro mundo muito mais do que um simples esporte, estando profundamente relacionado à história de vida de muitas pessoas. Aliás, muitas pessoas tem no esporte a sua própria vida. É, como diz o samba da Vila Isabel de 1988, um “evento que congraça gente de todas as raças numa mesma emoção”. Assim como o carnaval, onde o futebol está sempre presente nem que seja numa fantasia ou numa estrofe de samba-enredo. Seja nos gramados ou nas passarelas, no Maracanã ou na Sapucaí, o toque de bola será sempre nossa escola, nossa maior tradição, fazendo o coração bater a mil.

*Para muitos Carnaval e Futebol não possuem ligação. E é pra desmentir essa afirmação que convidei André Ramos para o especial de Carnaval do NEWSFUT! Torcedor do Flamengo, ABC por adoção, encantado pela Costa do Marfim e profundo conhecedor do Carnaval, não haveria ninguém melhor para utilizar esse espaço. Não posso esquecer: André é criador do blog Carnaval de Avenida, Beija-Flor de coração, Imperatriz por amizade e Vila Isabel por obrigação (pelo menos nesse carnaval).

Garrincha, o rei do drible

Há 77 anos anos, nascia o ‘Anjo das Pernas Tortas’. Um jogador mágico, encantador, fantástico. Diferente de todos os outros que você já viu jogar futebol. Um estilo irreverente, abusado, agressivo. Único. Nascia Mané Garrincha. Para muitos, o maior de todos os tempos, maior até do que Pelé. A grande maioria, botafoguense, claro. E não poderia ser de outro modo. Um jogador que honrou o manto alvinegro e que elevou o nome do Botafogo mundo afora com seu futebol, não poderia deixar de receber status mais justo.

Talvez fosse até ‘sofrível’ ver Garrincha jogar. Imagina você, como botafoguense, ver o ‘Anjo das Pernas Tortas’ driblar um time inteiro e não fazer o gol. É de enlouquecer qualquer torcedor na arquibancada, que diria: “Seria o gol mais bonito que já vi”. E assim era Mané, capaz de fazer coisas tão inimagináveis como esta. Torcedores de outros clubes iam ao Maracanã, somente para ver ‘o cara’ fazer ‘aquela’ jogada, que só ele sabia fazer. Para quem gosta de dribles, era um prato cheio. Espetáculo era com ele.

Aliás esta semana está sendo recheada de supercraques. Foi aniversário de 70 anos de Pelé, hoje Garrincha faria 77 anos e o próximo é Diego Armando Maradona que fará 50. Se você já viu Maradona jogar, desfilar seus dribles e genialidade, e diz que não viu coisa melhor, Garrincha era melhor. Se Pelé marcou mais de mil gols, há quem diga que Mané foi melhor. Maradona é sinômino de técnica. Pelé, de gols.  Mas definir o que Garrincha fazia, ainda não conseguiram descobrir…

70 anos de Edson

O menino da vila cresceu e tornou-se Rei. O Edson virou Pelé. O homem transcendeu o mito.

“Se o Pelé não tivesse nascido homem, teria nascido bola.”
Armando Nogueira

Edson Arantes do Nascimento completa nesse dia 23 de outubro sua 70ª primavera. Sim, o Edson. Pelé não tem idade, é eterno. Sua história está escrita e não há tempo que amarele essas páginas. O primeiro título mundial ainda respira na Suécia, assim como o segundo no Chile e o terceiro, e mais lembrado, no México. Seu milésimo gol ainda está vivo do lado esquerdo das cabines do Maracanã. Sua alma está presente a cada jogo na camisa alvinegra do Santos.

“Marcar mil gols como Pelé não é tão dificil. Marcar um gol como Pelé é.”
Carlos Drummond de Andrade

Pelé foi tão impressionante que imortalizou não só os mais de mil gols que fez, mas também os que deixou de fazer.

“Como se pronuncia Pelé? D-E-U-S!”
Manchete do jornal inglês Sunday Times após a final da Copa do Mundo de 1970.

“Antes de falar do Pelé, Maradona precisa pedir autorzação para o Zico, o Sócrates, o Romário, o Tostão, o Rivellino.”
Pelé

Se Pelé fosse uma religião, compará-lo a Maradona seria a maior das heresias. Pelé está acima de todos jogadores, não haverá um novo Messias. Todos os Pelés que nascem a cada dia, na verdade não passam de falsos profetas enganando e Vendilhões do Templo.

“O Pelé calado é um poeta. Dentro de campo, ele foi o nosso pai. Fora dele, tem de colocar um sapato na boca.”
Romário

Enquanto jogador foi inquestonável, porém durante sua forma homem, Edson, foi bastante criticado. Algumas de suas frases causaram muita polêmica. A lei que leva seu nome libertou os jogadores, mas deixou os clubes refém de seus empresários. Teve atitudes que não condizem com sua majestade conquistada em campo. Porém, o dia de hoje é de comemoração.

Agora, sejamos justos, Pelé não era um Rei Absolutista, sua monarquia era parlamentarista e seu Conselho de Ministro era de respeito. Coutinho, fiel companheiro do tempo de Santos,  Clodoaldo, o “carregador de piano” no alvinegro praiano e na seleção, Garrincha que garantiu a Copa de 62 no currículo do craque, Gerson e com seus passes magistrais, Nilton Santos, em quem chorou a alegria de 58, entre tantos outros craques. E, claro, não podemos esquecer do eterno bobo da corte: Maradona.

Faltam palavras para descrever Pelé, ainda mais no caso do NEWSFUT! onde nenhum dos idealizadores viu o craque jogar. Porém, isso pouco importa, suas conquistas falam por si próprio. O Edson só é Pelé por causa de tudo o que fez dentro de campo. Soube usar seu talento através da bola para parar guerras, como a do Congo em 69, para mostrar ao povo que o que realmente importa é a educação de nossas crianças, para ganhar Copas do Mundo e fazer o povo brasileiro ter orgulho de entoar o Hino Nacional.

Hoje podemos afirmar com toda certeza que futebol não teria a mesma graça se não  tivesse existido Pelé.

PARABÉNS PELOS 70 ANOS!

*Foto de Domício Pinheiro, popurlamente conhecido como o Fotógrafo de Pelé.

O apagar das luzes.

Cada jogo no Maracanã é uma emoção diferente e o último antes do fechamento para as reformas visando a Copa do Mundo de 2014 foi ainda mais marcante, não pelo futebol apresentado, mas pelo clima de despedida, afinal serão dois anos sem Maracanã. Quem frenquenta o estádio sabe a falta que ele fará durante o tempo que ficará fechado. O campeonato carioca perderá um pouco de seu charme, o Fla-Flu perderá um pouco de sua essência e o torcedor perderá a sua segunda casa. Que esse até logo seja breve.

Os últimos 90 minutos do velho Maracanã foram de Flamengo e Santos. Dois times que nem de longe lembraram aqueles que fizeram história no estádio, o Flamengo de Zico e o Santos de Pelé. O Santos desfalcado de Neymar e Ganso (ah como seria bom ver essa dupla desfilar seu talento na despedida do estádio) conseguiu segurar o Flamengo que tinha a estreia de Deivid. O empate de 0 a 0 pode não ter sido bom para o Rubro Negro, mas se serve de consolo o time evoluiu bastante, dominou a maior parte do tempo e só não fez gol porque esbarrou no mesmo problema dos últimos jogos, finalização.

Os jogos do Flamengo têm deixado claro a falta da pré-temporada para alguns jogadores que chegaram durante o Campeonato Brasileiro. Enquanto Willians e Léo Moura voam em campo, Renato Abreu, Deivid, Diogo, Correa, Val Baiano e Leandro Amaral sentem a maratona de jogos. Pet pela idade e também pela  pré-temporada mal feita é outro que vem sentindo o ritmo dos jogos quarta e domingo. Silas já observou isso e começou a mexer no time. A torcida precisará ter paciência.

Enquanto isso, o Santos mostrou toda sua dependência de Neymar e Ganso, sem seus principais jogadores o alvinegro praiano foi facilmente envolvido. Outro setor que precisa de atenção é a defesa, durante todo o jogo mostrou-se bastante vulnerável, deu sorte que a fase do ataque Rubro Negro não é boa.

Sem o Maracanã, o Flamengo não terá uma casa definida. Próximo jogo será no Raulino de Oliveira, em Volta Redonda. Outras opções são o estádio do Botafogo, Engenhão, e jogos em outros estádos. O fato é que onde quer que seja o time precisará voltar a vencer para se afastar da zona de rebaixamento e voltar a sonhar com algo melhor.