O Futebol Respira

 

Tudo começou com uma brincadeira típica da torcida do Flamengo. Entre uma vitória e outra, a conhecida autoconfiança Rubro Negra tomou conta dos torcedores e se espalhou pelas redes sociais como o #CheirinhoDeHepta. Esse era o novo “Deixou chegar…”. Claro, a mídia comprou a ideia e isso incomodou (e muito) os adversários. O time que em nenhum momento foi apontado pelos gurus como favorito à conquista do campeonato passava a bater de frente com times de elenco considerados bem melhores. Mais uma vez o Fla revertia a lógica e se garantia na mística para conquistar o improvável título Brasileiro desse ano.

Só que diferente de 2009, quando contou com o tropeço dos adversários, o Flamengo viu um Palmeiras impiedoso, que não deu brecha ao azar. E tropeçando nas próprias pernas, o time carioca sentiu o cheirinho que tanto incomodava os rivais ficar cada vez mais fraco até sumir de vez na antepenúltima rodada do Brasileirão. Pronto, prato cheio para todas as torcidas que aguentaram um campeonato todo de cheiro. A moda rubro negra se virava contra o próprio clube, que se tornou alvo preferido de gozações nessa reta final.

Agora, resta à torcida rubro negra desentupir o nariz para no próximo ano poder respirar melhor e quem sabe sentir o verdadeiro cheiro de um título que há muito tempo não consegue. Será que os torcedores ainda se lembram do cheiro da Libertadores?

Enquanto isso, o futebol agradece e continua respirando fundo essa alegria que transmite a verdadeira essência do esporte: a diversão.

Cheiro verde

ambiente_palmeiras_coritiba_rbl-6

(Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)

Gritar é campeão antes de o resultado estar sacramentado pode não trazer boa sorte. Os mais supersticiosos, como o técnico Cuca, preferem aguardar o fim do apito para poder enfim soltar o grito. E para um clube que sofreu uma das maiores viradas da história do futebol (Vasco 4×3 Palmeiras – Copa Mercosul 99) é normal o cuidado redobrado. Mas lá no fundo todos sabem que esse título tem endereço certo. Afinal, só é necessário um empate nas próximas duas rodadas. E o que seria isso para um time que possui um aproveitamento de quase 70%? Pois é, nada. O aroma do título já tomou conta do Palestra Itália (ou Allianz Arena).

Além de supersticioso, Cuca é muito competente e o grande responsável pela campanha impressionante do Palmeiras nesse campeonato. Com um ótimo elenco em mãos, o treinador conseguiu montar um time consistente tanto na parte ofensiva quanto na defensiva. Disse que seria campeão e fez (ou quase, como preferirem), mostrando o porquê de hoje ser considerado um dos melhores técnicos do país.

Ensaio sobre a cegueira Rubro Negra

A implicância da torcida do Flamengo com Ronaldinho Gaúcho tem a impedido cada vez mais de enxergar os outros problemas que influenciam de forma direta os resultados. Contra o Internacional, a mesma torcida que cobrou mais respeito de Ronaldinho com a camisa do clube, foi a que o ovacionou após o gol de pênalti e o vaiou ao ser substituído no segundo tempo. E assim vem sendo durante esse um ano e meio em que o jogador está no clube. O jogador acerta um lançamento vira melhor do mundo, perde uma bola e merece sair do clube.

E foi justamente uma bola perdida no meio do campo que na sequência resultou no gol de empate do time colorado, que desencadeou a reação exaltada da torcida na saída do camisa 10 no segundo tempo. Um contra-ataque que não representaria qualquer perigo caso o time tivesse uma defesa sólida e que não se afobasse, já que na hora do chute do Dátolo o  tinham cinco jogadores da defesa do Fla contra três do ataque do Inter. Nada teria acontecido caso Ibson lembrasse que nunca se dá um bote de primeira da forma como ele fez. O mesmo Ibson que dominou de forma errada a bola proporcionando o contra-ataque no primeiro gol do Inter. O mesmo Ibson que perdeu dois gols na cara do goleiro que poderiam ter mudado a história do jogo ainda no primeiro tempo. Mas Ibson é uma cria da base, chegou com status de grande contratação do ano, estava fazendo sua reestreia pelo clube do coração e mostrou uma vontade ainda não vista em outras ocasiões no elenco Rubro Negro e por isso foi poupado pela exigente torcida.

Só que Ronaldinho não joga sozinho, ele é obrigado a jogar ao lado de uma zaga que só sabe sair jogando na base do chutão para frente. Durante os 90 minutos nem González nem Wellinton conseguiram sair jogando com a bola no chão e quando tentavam era um deus nos acuda. Ronaldinho também é treinado por um técnico que merece respeito por sua história no futebol, mas já indica desgaste com grupo e mostra-se totalmente perdido. Primeiro errou ao trocar o melhor marcador do time, Aírton, por um jogador que ainda não tem entrosamento com o time, Amaral. Depois erro em dose dupla, time empatando e ao invés de colocar o time para o ataque e buscar a vitória, preferiu trocar Ronaldinho por Deivid e tirar Luiz Antônio e colocar Renato. O time virou um bando. Deivid e Love isolados na frente sem ter quem os entregassem as bolas eram obrigados a voltar e facilitavam o trabalho da defesa colorada. Enquanto isso, a defesa Rubro Negra tomava pressão nos contra-ataques. Ronaldinho também joga em um time que não estuda o adversário, trabalho de responsabilidade da comissão técnica. Caso o estudasse não tentariam tantos lançamentos para o isolado Vagner Love no meio de dois zagueiros altos.

Enquanto a torcida não abrir os olhos para os verdadeiros problemas Rubro Nego e continuar achando que a solução para tudo é a saída do camisa 10, o clube continuará os envergonhando durante essa temporada. Ronaldinho tem sim sua parcela de culpa, mas como diz o ditado: ruim com ele, pior sem ele.

 

CORINTHIANS CAMPEÃO BRASILEIRO

Reprodução: Revista Placar

Reprodução: Revista Placar

Quero morrer em um domingo e com o Corinthians campeão” Sócrates – 1983

E foi feita a sua vontade. Após empatar em 0 a 0 com o Palmeiras, no Pacaembu, o Corinthians sagrou-se pentacampeão brasileiro. A maior de todas as homenagens que o clube poderia prestar ao seu ídolo que morreu, nesta madrugada, em consequência de um choque séptico sofrido na quinta-feira.

Durante a semana muito se questionou a aproximação repentina de Andrés Sanches, presidente do Alvinegro, e Ronaldo Fenômeno com a CBF. A cereja no bolo para que torcedores e “comentarista” pudessem afirmar com absoluta certeza que o clube paulista é favorecido pela entidade. Pura bobagem. Torcedor algum gosta de ver seu time (sempre o melhor do mundo) perder e por isso prefere tentar buscar desculpas a ter que analisar erros cometidos no passado e que acabaram culminando em perda de pontos importantes que fizeram falta nesse final.

É compreensível o sentimento vitorioso que o torcedor vascaíno está sentindo hoje. Afinal foram os que mais sofreram durante o ano. Primeiro com a dificuldade encontrada pelo time para vencer a primeira partida no ano e depois com a perda do técnico Ricardo Gomes, que teve que se afastar após sofrer um AVC durante a partida contra o Flamengo, válida pelo primeiro turno do Brasileiro. O que é incompreensível é a onda de teorias conspirativas que alguns vascaínos resolveram adotar nesse fim de campeonato (e engrossada por torcedores de outros times cariocas em um bairrismo disfarçado de um movimento em prol do futebol carioca).

Pois bem, vamos aos números.

O Corinthians liderou o Campeonato Brasileiro de 2011 durante 27 rodadas, o que representa 71% da competição. Terminou o primeiro turno na liderança e o segundo atrás apenas do Fluminense.  Teve a melhor defesa (orgulho para o estilo gaúcho de treinamento do técnico Tite). Durante todo o Brasileiro frequentou a zona da Libertadores. E foi assim,  jogando um futebol burocrático, que o time conseguiu ser o mais regular da competição.

Enquanto isso, aquele Vasco desacreditado do Campeonato Carioca dava lugar a um Vasco guerreiro que primeiro conquistou a Copa do Brasil e depois encantou o país com sua superação no Campeonato Brasileiro e Copa Sul-Americana. Quando tudo parecia estar perdido, Dedé e cia entravam em ação e contrariavam toda lógica futebolística. Porém, faltou ao time cruzmaltino a burocracia corintiana em alguns jogos.

Atribuir a perda de um título a um pênalti não marcado, a um gol mal anulado ou a um impedimento é perda de tempo. Os mesmo que reclamam hoje, são aqueles que ficaram calados, ontem, quando essas infrações foram marcadas a favor do seu time. Isso também não pode servir como desculpa para os constantes erros de arbitragem. É preciso parar para discutir a qualidade da arbitragem e  buscar soluções. Tenho certeza de que discussões como essas jamais acabarão, mas tenho a esperança de que esses erros um dia não servirão mais de desculpa para torcedores darem quando seus times perderem.

Por todos esses motivos é que não tenho dúvidas em afirmar que o Corinthians mereceu sim ganhar o título do Brasileiro de 2011.

PARABÉNS, CORINTHIANS

PENTACAMPEÃO BRASILEIRO!

* OBS: Gostaria de deixar claro que não sou partidário do Ricardo Teixeira, o considero um câncer para o futebol brasileiro. E também não concordo com as nomeações do Andrés e do Ronaldo para os cargos de diretor de Seleções e para o Comitê Organizador da Copa, respectivamente. Ou seja, esse texto em nenhum momento defende essa corja que infelizmente administra a Confederação Brasileira de Futebol.

Ai, jesus…

Fla-Flu sem emoção não existe. O maior clássico do planeta acrescenta a cada partida uma página na bíblia sagrada do futebol. E hoje não foi diferente. O jogo que parecia que ia decepcionar os torcedores no primeiro tempo mudou completamente de cara na segunda etapa e honrou o nome. Os times passaram longe de apresentar um futebol a altura do que é o Fla-Flu, mas as circunstâncias tornaram histórica a vitória Rubro Negra por 3 a 2.

O herói de hoje foi o contestado Dario Botinelli. O argentino que chegou com status de promessa e até o jogo de hoje não tinha mostrado a que veio resolveu desencantar justamente no Fla-Flu. Não tinha oportunidade melhor. O nome de El Pollo já entrou no hall dos grandes heróis do clássico, ao lado de Renato Gaúcho (talvez o símbolo do Fla-Flu com seu histórico gol de barriga em 95), Adriano Imperador, Assis, Zico…

Discordo dos que disseram durante a semana que esse seria o Fla-Flu mais importante dos últimos 10 anos. O Fla-Flu mais importante de todos é sempre o que está por vir. Não importa a situação, pode ser até no futebol de botão, Fla-Flu sempre será Fla-Flu e vice-versa. Novos heróis surgirão, novas histórias serão contadas, novas reclamações serão feitas e o grito de “Ai, Jesus” continuará na garganta da galera. Isso é Fla-Flu…

SANTOS X FLAMENGO: HISTÓRICO

Uma verdadeira ode ao futebol aconteceu no dia 27 de Julho de 2011. Palavras não são capazes de descrever o que aconteceu naquele dia. Santos x Flamengo, um duelo para guardar na memória:



curso-468x60.gif

Fluminense, enfim, é campeão brasileiro.

Foi difícil, foi sofrido e árduo como sempre. É um tal de gol no início e segurar pelo resto do jogo para sagrar-se campeão.  Ou sofre por quase todo o jogo e ao final saiu o gol salvador. Não tem jeito, com o Fluminense é assim. E ontem não poderia ser diferente. Sempre demora demais. Foram 26 anos de espera pelo título brasileiro. Uma batalha de 21 horas desse humilde blogueiro na fila para compra de ingresso nas Laranjeiras para o confronto final, compra que não foi consumada infelizmente. Mas o tempo que mais demorou a passar foram os dois tempos de jogo. Acabou, o Fluminense é campeão brasileiro de 2010.

Título este, que começou a ser construído pelo atual técnico vice-campeão pelo Cruzeiro, Cuca, então treinador do Fluminense. Fez com que o time tivesse brio para lutar e fosse guerreiro porque nada estava perdido, por mais que os matemáticos quase cravassem o contrário. Passou pelos jogadores em quem ele confiou a missão de salvar o time do rebaixamento no Brasileiro 2009, que formaram o ‘Time de Guerreiros’. Passa por Fred, líder e motivador do grupo. Pelas estrelas contratadas que contribuíram. Por Conca, o dono, o ídolo, o príncipe, o Rei do Fluminense. Se completa por esta torcida, a melhor e mais bonita. Ela que não abandonou o time. Faz festa e não é só isso. Contagia. É o combustível, a energia que move o time. Por vezes, humilhada como se fosse a pior das torcidas por sua diretoria, que não sabe reconhecer que é o maior patrimônio do clube. Passa por Muricy, técnico reconhecidamente vitorioso, contratado para levar o time, ao menos, à Libertadores. Mas que levou ao fim do jejum de 26 anos, saindo melhor que a encomenda.

E termina no Doutor Celso Barros, presidente da patrocinadora do clube, Unimed. Fluminense largado na Terceira Divisão, eis que surge o patrocínio. De degrau em degrau, ele acreditou e apoiou o Tricolor. Aos poucos foi fazendo parte da história do clube. Saímos do caos e voltamos à elite do futebol nacional. Ganhamos o título estadual, grandes jogadores foram contratados. O investimento do patrocinador só aumentou e chegou ao posto de maior patrocínio do país. Hoje temos Conca, Fred, Deco e Emerson no time. Temos o melhor técnico do Brasil, Muricy Ramalho e que nos proporcionou a alegria de gritarmos “É campeão”. Jogadores excepcionais e o melhor treinador. Isso só é possível graças ao esforço da Unimed. Ontem o grito de campeão brasileiro ecoou depois de 26 anos e o Engenhão teve a sua primeira grande festa. Teve o seu primeiro título decidido lá. Depois das decepções na Libertadores e Sul-Americana, o time conquistou o Brasil. E agora Fluminense terá mais uma chance de conquistar também a América.

PARABÉNS FLUMINENSE PELA CONQUISTA DO CAMPEONATO BRASILEIRO 2010!