100 ANOS DE NELSON RODRIGUES

Há quase seis anos, dois alunos do Colégio Pedro II decidiam fazer um blog. Um tricolor e outro Rubro Negro. Em comum a admiração por Nelson Rodrigues. Hoje, no dia em que completaria 100 anos, não poderíamos deixar essa data passar em branco. Quantas vezes não pedimos licença para utilizar uma frase desse gênio da dramaturgia brasileira e assim dar um pouco mais de emoção ao texto. Até uma entrevista póstuma realizamos (a qual considero um dos melhores post desse blog).

Nelson Rodrigues nos ensinou a ver o futebol não como uma guerra, mas sim como um espetáculo no qual o personagem principal, os coadjuvantes, o mocinho e o vilão são escolhidos após os 90 minutos. Nelson nos mostrou o verdadeiro significado da rivalidade. Ser rival não é odiar o outro time ou o torcedor adversário, é saber conviver com quem pensa diferente. Nelson não tinha vergonha de admirar a torcida Rubro Negra, a grandeza vascaína, os craques botafoguenses. E isso não o fazia menos tricolor. O Fluminense tinha lugar especial em seu coração.

Sim, quando falamos em tricolor nesse blog, sempre nos referimos ao Fluminense. Como diria nosso ídolo, os outros são apenas times de três cores.

O gênio centenário hoje não está mais entre nós, mas sua memória está viva em cada crônicas, peças e livros. Nelson Rodrigues faz falta ao jornalismo, à dramaturgia, à vida. Poucas pessoas conseguiram enxerga-lá tão bem e Nelson foi um deles. Obrigado por não ter sido mais um desses idiotas da objetividade, por mostrar que o jornalismo também é feito de sentimentos.

Abaixo segue a entrevista póstuma feita pelo blog feita em 2010:

Inspiração dos idealizadores do blog, Nelson Rodrigues finalmente tornou-se o tema principal de um de nossos posts.

Um dos grandes responsáveis, ao lado do irmão Mário Filho, por umas das maiores rivalidades do futebol brasileiro, quiçá Mundial, Nelson Rodrigues expressou todo seu amor pelo clube das Laranjeiras, revelou uma admiração pelo Rubro Negro, mas sem deixar a gozação de torcedor de lado, em entrevista póstuma exclusiva concedida ao NEWSFUT! no dia em que completou 30 anos de sua morte.

NEWSFUT!: Para qual time você torce?

Nelson Rodrigues: ‘Sou tricolor, sempre fui tricolor. Eu diria que já era Fluminense em vidas passadas, muito antes da presente encarnação’

N!: Por que você escolheu torcer para o Flu?

N.R.: ‘Ser tricolor não é uma questão de gosto ou opção, mas um acontecimento de fundo metafísico, um arranjo cósmico ao qual não se pode – e nem se deseja – fugir’

N!: Tricolor existe muitos. Bahia, Grêmio, São Paulo…

N.R.: ‘O Fluminense é o único time tricolor do mundo. O resto são só times de três cores’

N!: Você torceria para o Flamengo?

N.R.‘Cada brasileiro, vivo ou morto já foi Flamengo por um instante, por um dia’

N!: Por isso o Fla tem a maior torcida do Mundo?

N.R.‘O Flamengo tem mais torcida, o Fluminense tem mais gente!’

N!: O que te chama a atenção na torcida do Flu?

N.R.: Uma torcida não vale a pena pela sua expressão numérica. Ela vive e influi no destino das batalhas pela força do sentimento. E a torcida tricolor leva um imperecível estandarte de paixão’

N!: Qual a diferença entre a torcida do Fla e Flu?

N.R.: ‘Pode-se identificar um Tricolor entre milhares, entre milhões. Ele se destingue dos demais por uma irradiação específica e deslumbradora’

N!: Com o Maracanã fechado, onde é o melhor lugar para o Flu mandar seus jogos?

N.R.: ‘Se o Fluminense jogasse no céu, eu morreria para vê-lo jogar’

N!: Depois de ter caído para série C do Brasileirão, o Flu ainda pode ser considerado um time grande?

N.R.: ‘Grandes são os outros, o Fluminense é enorme’

N!: Qual o melhor time do mundo?

N.R.: ‘Eu vos digo que o melhor time é o Fluminense. E podem me dizer que os fatos provam o contrário, que eu vos respondo: pior para os fatos’

N!: O que você prevê para o Flu em 2011?

N.R.‘Se quereis saber o futuro do Fluminense, olhai para o seu passado. A história tricolor traduz a predestinação para a glória’

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CORINTHIANS CAMPEÃO BRASILEIRO

Reprodução: Revista Placar

Reprodução: Revista Placar

Quero morrer em um domingo e com o Corinthians campeão” Sócrates – 1983

E foi feita a sua vontade. Após empatar em 0 a 0 com o Palmeiras, no Pacaembu, o Corinthians sagrou-se pentacampeão brasileiro. A maior de todas as homenagens que o clube poderia prestar ao seu ídolo que morreu, nesta madrugada, em consequência de um choque séptico sofrido na quinta-feira.

Durante a semana muito se questionou a aproximação repentina de Andrés Sanches, presidente do Alvinegro, e Ronaldo Fenômeno com a CBF. A cereja no bolo para que torcedores e “comentarista” pudessem afirmar com absoluta certeza que o clube paulista é favorecido pela entidade. Pura bobagem. Torcedor algum gosta de ver seu time (sempre o melhor do mundo) perder e por isso prefere tentar buscar desculpas a ter que analisar erros cometidos no passado e que acabaram culminando em perda de pontos importantes que fizeram falta nesse final.

É compreensível o sentimento vitorioso que o torcedor vascaíno está sentindo hoje. Afinal foram os que mais sofreram durante o ano. Primeiro com a dificuldade encontrada pelo time para vencer a primeira partida no ano e depois com a perda do técnico Ricardo Gomes, que teve que se afastar após sofrer um AVC durante a partida contra o Flamengo, válida pelo primeiro turno do Brasileiro. O que é incompreensível é a onda de teorias conspirativas que alguns vascaínos resolveram adotar nesse fim de campeonato (e engrossada por torcedores de outros times cariocas em um bairrismo disfarçado de um movimento em prol do futebol carioca).

Pois bem, vamos aos números.

O Corinthians liderou o Campeonato Brasileiro de 2011 durante 27 rodadas, o que representa 71% da competição. Terminou o primeiro turno na liderança e o segundo atrás apenas do Fluminense.  Teve a melhor defesa (orgulho para o estilo gaúcho de treinamento do técnico Tite). Durante todo o Brasileiro frequentou a zona da Libertadores. E foi assim,  jogando um futebol burocrático, que o time conseguiu ser o mais regular da competição.

Enquanto isso, aquele Vasco desacreditado do Campeonato Carioca dava lugar a um Vasco guerreiro que primeiro conquistou a Copa do Brasil e depois encantou o país com sua superação no Campeonato Brasileiro e Copa Sul-Americana. Quando tudo parecia estar perdido, Dedé e cia entravam em ação e contrariavam toda lógica futebolística. Porém, faltou ao time cruzmaltino a burocracia corintiana em alguns jogos.

Atribuir a perda de um título a um pênalti não marcado, a um gol mal anulado ou a um impedimento é perda de tempo. Os mesmo que reclamam hoje, são aqueles que ficaram calados, ontem, quando essas infrações foram marcadas a favor do seu time. Isso também não pode servir como desculpa para os constantes erros de arbitragem. É preciso parar para discutir a qualidade da arbitragem e  buscar soluções. Tenho certeza de que discussões como essas jamais acabarão, mas tenho a esperança de que esses erros um dia não servirão mais de desculpa para torcedores darem quando seus times perderem.

Por todos esses motivos é que não tenho dúvidas em afirmar que o Corinthians mereceu sim ganhar o título do Brasileiro de 2011.

PARABÉNS, CORINTHIANS

PENTACAMPEÃO BRASILEIRO!

* OBS: Gostaria de deixar claro que não sou partidário do Ricardo Teixeira, o considero um câncer para o futebol brasileiro. E também não concordo com as nomeações do Andrés e do Ronaldo para os cargos de diretor de Seleções e para o Comitê Organizador da Copa, respectivamente. Ou seja, esse texto em nenhum momento defende essa corja que infelizmente administra a Confederação Brasileira de Futebol.

E teve boatos de que o futebol carioca estava na pior

Fla Campeão Brasileiro de 2009 – Flu Campeão Brasileiro de 2010

VASCO CAMPEÃO DA COPA DO BRASIL 2011

(crédito: UOL)

SE ISSO É TÁ NA PIOR, PORRÃN…

No futebol não há verdade absoluta. Não adianta ter uma estrutura, um time de estrelas, se não houver o principal: a vontade de ganhar. E é exatamente isso que o futebol carioca mostrou nesses últimos anos. O Vasco é a última prova disso.

Há cinco meses atrás o vascaíno sofria com a péssima campanha do time no campeonato carioca. O futuro era assustador, sem nenhuma perspectiva. Até que chegou Ricardo Gomes. Um treinador sem títulos importantes na carreira e sob a desconfiança de todos. Com um elenco limitado nas mãos teve paciência e preferiu não inventar. Aos poucos, com a chegada de reforços, foi dando a cara de um time vencedor.

Vale destacar também o trabalho feito pelo presidente Roberto Dinamite. Uma resposta a quem ainda insistia com a ideia da volta de Eurico Miranda.

Oito anos depois o torcedor vascaíno volta a ter orgulho de vestir a camisa cruzmaltina e com todo merecimento. Que a Copa do Brasil seja a última pá de cla no passado de tristeza.

PARABÉNS, VASCÃO!!

 

 

Gol do PeTRI 10 anos!

Ajoelhado no meio da sala estava um garoto então com seus 12 anos. Para ele não existia razão no futebol. Era 100% coração. Olhos marejados pela situação, promessas para todos os santos, era a última chance. O árbitro autoriza a cobrança de falta e…

Mais do que um gol. Aos 43 minutos do segundo tempo da final do Campeonato Carioca de 2011, naquele dia 27 de maio, um sérvio entraria de vez para a história do Flamengo. Era Dejan Petkovic. Gol do quarto TRI Campeonato Estadual Rubro Negro.

Uma década se passou e aquele gol continua vivo na memória de todo torcedor e na história do Maracanã. Antológico é o adjetivo que melhor descreve o que se passava naquele momento. Todos tinham noção de que estavam vendo a história do futebol se passando bem em sua frente.

Não foi apenas o gol do TRI, era o surgimento de um ídolo. Pet foi marcante no Vasco e no Fluminense, mas foi no Fla que ele se tornou o que é hoje, foi naquele dia 27 de maio de 2011. Talento inquestionável, temperamento difici, muito contestado. Pet sonhou, lutou, perdeu e ganhou. Petkovic tornou-se eterno.

Aquele garoto ajoelhado no meio da sala, quase chorando, era eu. Hoje, 10 anos depois daquela conquista, o coração deu lugar a razão, mas ainda não me impede de me emocionar a cada vez que revejo o gol. Volto ao tempo e sinto a mesma emoção do que aquele garoto de 12 anos.

#goldopet10anos

 

DO GRAMADO À AVENIDA

por André Ramos

Se você é torcedor do Flamengo com certeza já cantou “Cobra coral/ Papagaio vintém/ Vesti rubro-negro/ Não tem pra ninguém” nas arquibancadas do Maracanã. Se é vascaíno, já entoou “Vamos vibrar meu povão, é gol, é gol/ A rede vai balançar, vai balançar/ Sou Vasco da Gama, meu bem/ Campeão de terra e mar” durante um jogo em São Januário. O que talvez você não saiba é que esses versos fazem parte de sambas-enredo apresentados pela Estácio de Sá e Unidos da Tijuca em 1995 e 1998, respectivamente. E não deve saber que outros times, como o atual campeão brasileiro Fluminense, também já foram homenageados por agremiações cariocas. Dentre os quatro grandes times do Rio, apenas o Botafogo nunca foi enredo de uma escola de samba. Em compensação, o América, clube  tão querido pelos cariocas, já teve sua história mostrada na Avenida.

Fazer um enredo sobre um clube é, para a escola de samba, uma faca de dois gumes. Por um lado, irá despertar a simpatia dos torcedores do determinado time, fazendo inclusive com que o samba seja sempre lembrado e cantado pela torcida, como foi o caso de Flamengo e Vasco. Por outro lado, imagine um flamenguista que estivesse desfilando pela Tijuca precisando cantar a plenos pulmões que o Vasco é campeão de terra e mar? Complicado… Mas se as rivalidades forem deixadas nos gramados, os enredos relativos ao futebol podem garantir um belo espetáculo e fazer com que o carnaval mexa ainda mais com a paixão dos cariocas. Sem falar que algumas agremiações obtiveram bons resultados ao falar sobre o esporte.

G.R.E.S. ESTÁCIO DE SÁ

nwfestácio95A Estácio de Sá foi a primeira escola a unir futebol e carnaval ao fazer um enredo sobre o Flamengo, em 1995. O samba acabou se tornando um dos mais conhecidos da escola e até hoje é difundido pela imensa torcida rubro-negra. De um ponto de vista técnico, é um dos melhores sambas-enredo sobre clubes, unindo uma boa letra a uma melodia valente, que é praticamente um requisito para o tema. O desfile também foi muito bom, rendendo à Estácio o quinto lugar do grupo Especial.

OUÇA O  SAMBA DE 95 DA ESTÁCIO:


Baixe aqui: http://www.4shared.com/audio/U7e8_6sO/NWF_-_ESTCIO_95.html

Enredo: Uma vez Flamengo…
Compositores: David Correa, Adilson Torres, Déo e Caruso

O céu rasgou
Na noite que reluzia
Um show de estrelas
Brilhou nos olhos
De um novo dia
A poesia
Enfeitada de luar
Encantou o Estácio (a paixão)
Paixão que arde sem parar

É tengo tengo
No meu quengo é só Flamengo
Uh, tererê
Sou Flamengo até morrer

Seis jovens remadores
Fundam o grupo de regatas
Campeão o seu destino (ô)
É ganhar em terra e mar
Fazendo sol
Pode queimar, pode chover
Vou ver Fla-Flu
Fla-Vas vou ver
Diamante Negro, Fio Maravilha
Domingos da Guia, Zizinho, Pavão
Gazela negra
Corre o tempo no olhar
Será que você lembra
Como eu lembro o mundial
Que o Zico foi buscar
Só amor
Na alegria e na dor (ôô)
Parabéns dessa galera
Cem anos de primavera

Cobra coral
Papagaio vintém
Vesti rubro-negro
Não tem pra ninguém

G.R.E.S. UNIDOS DA TIJUCA

nwftijuca98Em 1998, a Unidos da Tijuca homenageou o Vasco da Gama, num enredo que mesclava a história do clube com o navegador português. O samba também é bastante conhecido, sendo sempre cantado pela torcida vascaína. Tem uma melodia bastante empolgante, mas sua letra não é tão elaborada, sobretudo quando fala do clube. O desfile da agremiação tijucana foi péssimo. Acabou em penúltimo lugar no Especial, sendo rebaixada após onze anos consecutivos na elite.

O SAMBA DA UNIDOS DA TIJUCA DE 1999:

Baixe aqui: http://www.4shared.com/audio/JjweG_KW/NWF_-_TIJUCA_98.html

Enredo: De Gama a Vasco, a epopéia da Tijuca
Autores: Adalto Magalha, Serginho do Porto, Márcio Paiva e Adilson Gavião

Através da mão divina (amor)
Naveguei, naveguei
O meu sonho de menino
Quis assim o meu destino
Portugal e toda a Europa encantei
Naveguei
E novos povos encontrei
Por tempestades e lendas eu passei
Para um almirante a coragem é a lei
Por tantos mares viajei
Na Índia, eu então cheguei
Veio o progresso nessa aventura
Descobertas e culturas

É nessa onda que eu vou
O povo vai recordar
Vem com a Unidos da Tijuca festejar

Rio de Janeiro, brasileiro, meu irmão
Sou Vasco da Gama tantas vezes campeão
Quando entra no gramado me alucina
Esse clube da colina, centenário de paixão
Estrela no céu a brilhar
Que faz essa galera delirar

Vamos vibrar meu povão (é gol, é gol)
A rede vai balançar, vai balançar
Sou Vasco da Gama, meu bem
Campeão de terra e mar

G.R.E.S. ACADÊMICOS DA ROCINHA

O tricolor das Laranjeiras foi enredo da Acadêmicos da Rocinha em 2003. Desfilando pelo grupo de Acesso A, a escola também não obteve um bom resultado, ficando com a décima colocação. O samba não é muito conhecido e também não possui muitas qualidades, mas fica o registro da homenagem prestada pela agremiação de São Conrado ao centenário do Fluminense.

OUÇA O SAMBA DA ACADÊMICOS DA ROCINHA DE 2003:


Baixe aqui: http://www.4shared.com/audio/mlZsOMOI/NWF_-_ROCINHA_03.html

Enredo: Nas Asas da Realização, entre Glórias e Tradições, a Rocinha faz a Festa dos 100 Anos de Campeão… Sou Tricolor de Coração!
Compositores: Thiago, Branco, Fabiano, Diego e Rubinho da Locadora

Cruzou no céu a borboleta
Numa fantástica viagem multicor
E veio exaltar na passarela em forma de poesia
O brilhantismo e a tradição do tricolor
Hoje a Rocinha ergue a bandeira do querido pavilhão
E traz Nelson Rodrigues pra essa festa
Dos cem anos de um clube tantas vezes campeão
Vamos lá nação que a hora é essa

Mas que emoção, meu coração incendeia
Sou pó-de-arroz, sou tricolor na veia
Das pistas campeão, das quadras vencedor
Unido e forte pelo esporte com vigor

Na arte, na cultura e no lazer
Seu lema é vencer com uma força sem igual
No salão nobre, festas, bailes que beleza
Recebia a nobreza, um clube social
Na sua história entre títulos e glórias
A Taça Olímpica sua maior vitória
E hoje a torcida comemora o encontro genial
Do samba, futebol e carnaval

Abre seu coração, diga violência não
Vem com a gente se acabar nessa folia
Vem gritar com emoção, são cem anos de paixão
Sou tricolor de coração e sou Rocinha

G.R.E.S. UNIDOS DA PONTE

nwfponte04O América tem muita coisa em comum com a escola da qual foi enredo, a Unidos da Ponte. Ambos são instituições tradicionalíssimas, que fizeram história no passado mas hoje em dia passam por maus momentos. A simpática agremiação de São João de Meriti fez do centenário do América seu enredo para o desfile de 2004. A escola estava no grupo de Acesso B, a terceira divisão do carnaval carioca, o que faz com que o desfile e o próprio samba não tenham tanta divulgação. Mas a obra apresentada pela Ponte é muito gostosa de ouvir e cita vários momentos marcantes da história do clube tijucano. Apesar de não ter subido de grupo, a escola conseguiu uma boa colocação: quinto lugar.

OUÇA O SAMBA DA UNIDOS DA PONTE DE 2004:

http://www.4shared.com/audio/-1iiEwcG/NWF_-_PONTE_04.html
Enredo: Hei de torcer, torcer, torcer… América, 100 anos de paixão
Compositores: Willian Ferreira e Jovaci

Desperta ô, é hora
“Sangue, a cor do nosso coração”
Hei de torcer, torcer, torcer
América, cem anos de paixão
A vibração que vem da arquibancada
Terminou outra jornada
Nosso time é campeão
Do centenário, da Independência
E da Guanabara o primeiro vencedor
Talento, garra, fibra e competência
Dos craques que a Copa nos vingou

Na arte do jogo
Em campo o show
Tem bola na rede
Tem grito de gol

Lamartine fez a obra-prima
O hino que orgulha quando ecoa
Tremulando o pavilhão
Ilustres torcedores dominados de emoção
A sede da Tijuca foi um marco social
Glórias e conquistas no esporte amador
Rei Momo domina a cidade
E o “Baile do Diabo” começou

Hoje a Ponte é Baixada
Pelo América torcer
Vem Brasinha, apaga a vela
Esta festa é pra você

G.R.E.S. TRADIÇÃO

nwftradicao03E não é só nas homenagens a clubes que o futebol esteve presente no carnaval. O jogador Ronaldo, que recentemente encerrou sua carreira, também já foi enredo. Em 2003, a Tradição fez do craque o tema de seu desfile, motivada pela conquista brasileira da Copa do Mundo no ano anterior. Apesar da justa homenagem, o samba da escola é considerado um dos piores da história do carnaval carioca. Tendo se tornado uma obra quase folclórica entre os sambistas. A verdade é que é um sambinha bem simpático, que pode não ser bom tecnicamente mas que gruda no ouvido. A Tradição, por não ser uma escola de muitos recursos, não fez um desfile qualificado e acabou na penúltima posição do grupo Especial, a um passo do rebaixamento.

OUÇA O SAMBA DA TRADIÇÃO DE 2003:

Baixe aqui: http://www.4shared.com/audio/h3nLFjDq/NWF_-_TRADIO_03.html

Enredo: O Brasil é penta, R é 9 – O fenômeno iluminado
Compositores: Lourenço e Adalto Magalha

É fantástico, ser brasileiro
Com muito orgulho, muita paz e muito amor (ôôô)
E o globo vai girando, a gente fazendo história
E vitórias conquistando
Quando Deus criou a Terra, nos deu a luz do sol
Também fez nosso Brasil, o país do futebol
Começou lá na Suécia, a segunda vez no Chile
A alegria da nação, ai que paixão
E no solo mexicano, depois no americano
Foi aquela emoção, pro meu povão
Se formou uma família, uma grande seleção
Foi aquele show de bola, na Coréia e no Japão

Ai ai ai, oh, vida me leva
Ai ai ai, deixa a vida me levar
Ai ai ai, eu tô nessa festa
Eu quero mais é festejar

O Ronaldo iluminado, dono da camisa nove
Nasceu em Bento Ribeiro, no Rio de Janeiro
Um menino inspirado, pelo mundo consagrado
O fenômeno brasileiro
Da bola que era um brinquedo
Dadado fez seu reinado
Destino não tem segredo
Já veio nele traçado
Um guerreiro abençoado, nos campos que jogou
Ninguém pode duvidar, ele tem cheiro de gol

É bola na rede
A nossa Tradição
É bola na rede
É pentacampeão

G.R.E.S. BEIJA-FLOR

nwfbeija86Como um todo, o futebol também já passou pela Avenida num dos desfiles mais emocionantes da Sapucaí. Em 1986, a Beija-Flor fez um desfile que é lembrado até hoje devido ao temporal que a escola enfrentou na hora de sua apresentação. Mesmo com água até o joelho, os componentes mantiveram a garra e fizeram com que, mesmo com fantasias e alegorias encharcadas, a escola conseguisse o vice-campeonato do grupo Especial. O samba é um dos mais conhecidos da escola. É bem leve e compacto, completamente diferente do atual estilo da escola.

OUÇA O SAMBA DA BEIJA-FLOR DE 1986:

Baixe aqui: http://www.4shared.com/audio/DDvme_MP/NWF_-_BEIJA-FLOR_86.html

Enredo: O mundo é uma bola
Autores: Betinho e Jorge Canuto

Brasil, Brasil, Brasil, oi
Canta forte e explode de alegria
O mundo é uma bola
Girando, girando
Em plena euforia
Elando a corrente
Pra frente, pra frente
E a vitória conquistar
Com os heróis da nossa seleção
Vibrantes com o grito popular

Tudo em cima novamente
Sobrevoando a passarela
Que beleza a Beija-Flor
Sacudindo esta galera

Do Oiapoque ao Arroio Chuí
Tem folclore, tem mandinga
Oh, torcida campeã

O meu Rio de Janeiro
O ano inteiro é samba e Maracanã

Se esta profusão de cores
Sensibiliza o visual
A arte é jogar bola
Vai na Copa e faz um carnaval (é milenar…)

É milenar
A invenção do futebol
Fez o artista
Ter um sonho triunfal

O mundo é mesmo uma bola, como cantou a Beija-Flor. E o futebol é pro mundo muito mais do que um simples esporte, estando profundamente relacionado à história de vida de muitas pessoas. Aliás, muitas pessoas tem no esporte a sua própria vida. É, como diz o samba da Vila Isabel de 1988, um “evento que congraça gente de todas as raças numa mesma emoção”. Assim como o carnaval, onde o futebol está sempre presente nem que seja numa fantasia ou numa estrofe de samba-enredo. Seja nos gramados ou nas passarelas, no Maracanã ou na Sapucaí, o toque de bola será sempre nossa escola, nossa maior tradição, fazendo o coração bater a mil.

*Para muitos Carnaval e Futebol não possuem ligação. E é pra desmentir essa afirmação que convidei André Ramos para o especial de Carnaval do NEWSFUT! Torcedor do Flamengo, ABC por adoção, encantado pela Costa do Marfim e profundo conhecedor do Carnaval, não haveria ninguém melhor para utilizar esse espaço. Não posso esquecer: André é criador do blog Carnaval de Avenida, Beija-Flor de coração, Imperatriz por amizade e Vila Isabel por obrigação (pelo menos nesse carnaval).

Nunca antes na história do Campeonato Carioca…

Darío Conca, Deco, Fred, Carlos Alberto, Loco Abreu, Arévalo, Thiago Neves e Ronaldinho Gaúcho. O Campeonato Carioca que começa hoje tem tudo para ser um dos melhores dos últimos anos.

Porém, nessas primeiras rodadas o torcedor só deverá ver um esboço dos times. Muitos reforços ainda não têm condições de jogar, seja por falta de  documentação ou aumento do período de pré-temporada para melhora na parte física. Nada que desanime o torcedor carioca, que já não aguenta mais ficar sem o tradicional futebol de quarta à noite e domingo à tarde.

Vasco da Gama

Time Base: Fernando Prass, Fágner, Dedé, Anderson Martins, Ramon; Romulo, Eduardo Silva, Felipe , Carlos Alberto; Éder Luis e Marcel.

Dentre os quatro grandes do Rio, o Vasco foi o clube que trouxe os reforços mais modestos. Destaque para Eduardo Costa que volta ao Brasil após dois anos no Mônaco, da França. A solução achada pelo clube para a escassez de reforços foi a manutenção da base de 2010.

Botafogo

Time Base: Jefferson, João Filipe, Antônio Carlos, Márcio Rosário; Lucas, Arévalo, Marcelo Mattos, Éverton, Márcio Azevedo; Herrera e Loco Abreu.

Sem dinheiro para fazer grandes contratações, o clube apostou na juventude e trouxe João Filipe e Lucas, ex-Figueirense. Ainda repatriou o polivalente Éverton. Porém, o grande nome para temporada foi a do volante Arévalo, destaque da seleção urugauia e que foi indicado pelo amigo Loco Abreu. Esse ano, além do bicampeonato, Joel Santana poderá se tornar o técnico mais vezes campeão carioca e se consagrar de vez como o Rei do Rio.

Fluminense

Time Base: Diego Cavalieri, Mariano, Gum, Leandro Euzébio, Carlinhos; Valência, Diguinho, Deco, Conca; Emerson e Fred.

O Fluminense estará focado na disputa da Libertadores, mas não deverá deixar de lado o Carioca. Ganhar o Campeonato Carioca significa voltar a dividir a hegemonia do Rio com o Flamengo. A rivalidade deverá ser o combustível do tricolor. Além disso, é um bom momento para testar jogadores que poderão ser aproveitados ao longo da temporada.

Atual campeão brasileiro, o time das Laranjeiras apostou na manutenção da base vencedora e trouxe reforços apenas para as posições mais carentes. Diego Cavalieri vem para acabar com a carência de goleiros que o clube enfrentou nos últimos anos. Em 2010 chegou a ter 3 goleiros em sua meta. Edinho, Souza e Araújo vêm para reforçar o elenco, mas devem começar a temporada no banco.

Flamengo

Time Base: Felipe, Léo Moura, Wellinton, David, Egídio; Maldonado, Willians, Bottinelli, Thiago Neves; Ronaldinho Gaúcho e Deivid.

Após o fiasco de 2010, o Flamengo foi o clube carioca que mais investiu em reforços para a temporada. A primeira contratação foi a do goleiro Felipe, que chega para fazer a torcida esquecer de vez o Bruno. Sob muita desconfiança, o meia Botinelli desembarcou na Gávea. Comparado a Conca, o argentino precisa provar que não será um fiasco como seus compatriotas que passaram pelo clube nos últimos anos.

As maiores contratações ficaram para o final. Thiago Neves e Ronaldinho Gaúcho são as esperanças Rubro Negras para esse ano. O ex-meia tricolor chegou ao clube pedindo desculpa e prometendo bastante empenho. Já o campeão mundial de 2002 ganhou uma grande festa da torcida. Após uma grande novela, o clube anunciou com status de ídolo pop.

Badalações a parte, o torcedor espera que o centenário do futebol do clube não passe em branco.


Campeonato justo (?!)

Quando adotaram o Campeonato Brasileiro por pontos corridos vários especialistas afirmaram que era a fórmula de disputa mais justa. Até o ano passado isso era inquestionável, pois sempre havia um time que se destacava no meio do campeonato e levava o caneco. Porém, os clubes começaram a entender a nova fórmula de disputa e ano passado chegamos a ter quatro clubes brigando pelo título até o fim. A história se repetiu novamente esse ano, Fluminense, Corinthians e Cruzeiro chegam com totais chances de serem campeões, se não fosse um detalhe: a rivalidade.

Em 2009, acusaram Corinthians e Grêmio de terem facilitado o jogo para o Flamengo, visando prejudicar seus maiores rivais que ainda disputavam o título. Esse ano a história se repete, mas com personagens diferentes. Acusam São Paulo e Palmeiras (que ainda nem jogou) de facilitarem o jogo para o Fluminense e prejudicar o Corinthians, que luta pelo Penta no ano do seu Centenário.

Não questionamos o título do Flamengo, que se aproveitou da incompetência dos adversários, e muito menos um possível título do Fluminense, que liderou a maior parte do campeonato e merece estar onde está. O que questionamos é a validade dos pontos corridos, um campeonato que ainda não caiu totalmente nas graças do torcedor brasileiro. Não é aceitável que times que não briguem por mais nada sejam os mais decisivos na reta final. E para deixar bem claro: Não acreditamos em entrega.

O que queremos é um sistema de pontuação no qual todos os times possam chegar ao fim do campeonato brigando por alguma coisa e não haja esse desinteresse por parte de times que não lutam por mais nada, mas enfrentam times que decidem título nas últimas rodadas. Uma volta dos playoffs não seria ruim. Um quadrangular final entre Fluminense, Corinthians, Cruzeiro e o quarto colocado, seria interessante para os clubes que poderiam arrecadar mais, para a integridade do campeonato e para o torcedor que não precisaria “vestir” várias camisas nessas últimas rodadas. É algo a se aprimorar para os próximos anos.

Outra opção foi a dada pelo Carlos Alberto, meia vascaíno. Colocar os clássicos nas últimas rodadas traria uma emoção a mais. Isso impediria o desinteresse, que muitos confundem com entrega, dos times que não disputam mais nada, pois todos sabem que rival não ajuda rival.

Se continuar do jeito que está, podemos ir nos preparando para todo final de ano lermos matérias sobre “Mala Branca”, “Mala Preta”, “entrega ou não” e tantas outras que povoam nosso noticiário nesse final de ano.

O QUE VOCÊ ACHA: O CAMPEONATO DEVE MUDAR OU NÃO? DEIXE SUA SUGESTÃO.